terça-feira, 5 de abril de 2016

100 mulheres indígenas na visão Yandê

100 mulheres indígenas a seguir na vida

Algumas das mulheres indígenas que fazem parte da lista das 100


Fonte: Rádio Yandê


A participação das mulheres no movimento indígena está em plena expansão: atuantes na defesa do direito à terra, proteção do meio ambiente, educação, saúde cultura, cidadania e espiritualidade, as mulheres estão cada vez mais presentes e ativas em todos os espaços da sociedade, somando força à luta e ao movimento. Fizemos esta lista em resposta ao artigo da Revista AZmina sobre “Seis mulheres indígenas que vale a pena seguir nas redes”.

Agradecemos a  de nossas irmãs comunicadoras celebrando algumas mulheres que nos inspiram todos os dias, esta lista ainda é pequena diante de todas as mulheres indígenas que estão na luta e daquelas que estão por vir!

Por Daiara Tukano e Renata Tupinambá  
Redação Yandê


Sônia Guajajara - Coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), é uma das principais lideranças nacionais e internacionais na luta pelos direitos indígenas: denunciando o genocídio indígena, os crimes ambientais, o não cumprimento dos direitos adquiridos na constituição e os retrocessos defendidos na PEC215 e outros projetos de lei. É graduada em letras e enfermagem, defensora de direitos humanos foi premiada com a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura.

Valdelice Verón Guarani Kaiowá - Liderança da Tekoha Taquara território que teve a homologação retirada devido à violenta guerra do agronegócio contra as populações indígenas no estado de Mato Grosso do Sul; é membro do conselho Aty Guasu e representante no congresso internacional Guarani, vive sob constante ameaça.

Tuirá Kayapó -  É uma famosa anciã do Povo Kayapó que em 1989 no 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em Altamira (PA), colocou uma lâmina de seu facão no rosto do presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, expressando indignação pela construção da usina Kararaô.

Joenia Wapichana - A primeira mulher brasileira de origem indígena formada em Direito. Indígena do Povo Wapichana de Roraima. Atuou na demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, trabalha no departamento jurídico do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e na defesa de direitos de indígenas à posse de suas terras na Região Norte do Brasil. Foi também a primeira presidente da Comissão de Direitos dos Povos indígenas da OAB, criada em 2013. Recebeu em 2004 o Prêmio Reebok pela sua atuação na defesa dos Direitos Humanos. Em 2010, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura.

Azelene Kaingáng - Conhecida liderança politica da etnia Kaingáng. Nascida na Terra Indígena Carreteiro, no município de Água Santa, no estado do Rio Grande do Sul. Formou-se em sociologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, fez mestrado em dinâmicas sociais e políticas regionais da Universidade de Xapecó. No ano de 2006, ganhou o Prêmio Nacional dos Direitos Humanos da Presidência da República. É fundadora e membro da Comissão Nacional das Mulheres Indígenas e do Warã Instituto Indígena Brasileiro. Em 2010, recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural 2010, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Creuza Umutina - É conhecida por muitos como a  1ª mulher a ser cacique no Brasil. Indígena da Aldeia Umutina no município Barra do Bugre, no Mato Grosso. Ganhadora do prémio de melhor atiradora com arco e flecha de seu povo em 1988.

Graça Grauna - Escritora, potiguara de São José do Campestre (RN). Formada em Letras pela UFPE. Professora adjunta em Literaturas de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira na Universidade de Pernambuco - UPE - Campus Garanhuns, onde coordena o Núcleo de Estudos Comparados em Literaturas de Língua Portuguesa - NESC; o Projeto de Capacitação em Literatura e Direitos Humanos, junto ao MEC/SEACD/UPE e o Curso de Especialização para Professores Indígenas, da UPE em parceria com a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco. Colaborou em jornais e revistas do Brasil e do exterior, entre eles: o Arte e Palavra (Sergipe), Suplemento Literário do Minas (BH) e o Jornal de Letras (Lisboa).

Silvia Nobre Waiãpi - A primeira militar mulher indígena a integrar as Forças Armadas no Brasil. Nascida no Estado do Amapá na aldeia da etnia Waiãpi no Parque Indígena do Tumucumaque, extremo norte do país, na fronteira com a Guiana Francesa. Fez várias participações como atriz na televisão. Também poetisa ganhou prêmios por seus poemas: a medalha Cultural Castro Alves, a medalha Monteiro Lobato e também um prêmio de jovem escritora da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul. Atleta e fisioterapeuta. Fez cursos de especialização em saúde pública na Universidade Federal Fluminense e gênero e sexualidade na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Leticia Yawanawa - Representante da sociedade civil no Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da qual faz parte a Rádio Nacional da Amazônia, tem longa carreira de luta pelos direitos da mulheres indígenas atuando nas áreas de cultura e comunicação.

Fernanda Kaingáng - Mestre em direito, foi a primeira advogada indígena na região Sul do Brasil e a primeira indígena a obter o título de mestre em direito no Brasil, atua nas áreas de Direitos para Povos Indígenas no Brasil, proteção legal de conhecimentos tradicionais dos Povos Indígenas e Comunidades Locais, convenção sobre diversidade biológica, biodiversidade e conhecimentos tradicionais

Rosane Kaingáng - Kaingáng do clã Kamé (guerreiros) representante da Arpinsul acompanhando a pauta indígena nos três poderes em Brasília, é membra da APIB, e tem especial dedicação à luta pelos direitos humanos das mulheres indígenas.

Samantha Ro'otsitsina Xavante - Diplomada em serviço social e Mestra em Desenvolvimento Sustentável, tem mobilidade internacional através de redes e mobilização indígenas da América Latina, faz parte da Rede de Juventude Indígena tem desenvolvido trabalho nos  temas ambiental, cultural, soberania alimentar, com perspectivas de igualdade de gênero e geracional, focando o emponderamento do indivíduo.

Yakuy Tupinambá - Educadora e  militante do movimento indígena Tupinambá de Olivença.  Autora de vários textos, publicados alguns nas coletâneas Índios na visão dos índios, na rede indiosonline e em Indiografie (Costa & Nolan/Itália). Colaboradora colunista da Rádio Yandê. Técnica em economia doméstica, cursou alguns períodos de Direito na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Em 2008 realizou uma importante viagem para Europa denunciando em organizações internacionais de direitos humanos e governantes de alguns países as violações de direitos humanos que seu povo vem sofrendo no sul da Bahia.

Naine Terena - Indígena do Povo Terena de Mato Grosso do Sul e da Aldeia Limão Verde em Aquidauana. Doutora em Educação (PUC-SP), mestrado em Arte (UnB), e graduada em radialismo (UFMT). É autora do projeto Territórios criativos indígenas, convênio do MINC com a UFMT que visa o desenvolvimento de economia criativa entre 4 povos indígenas de Mato Grosso.

Eliane Lima dos Santos Potiguara - Uma das pioneiras da literatura indígena brasileira. Escritora e formada em Letras, licenciou-se em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Conselheira do Instituto Indígena de Propriedade Intelectual. Foi nomeada uma das "Dez Mulheres do Ano de 1988" pelo Conselho das Mulheres do Brasil, por ter criado a primeira organização de mulheres indígenas no país: o Grumin (Grupo Mulher-Educação Indígena). Foi uma das 52 brasileiras indicadas para o projeto internacional "Mil Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz". foi Conselheira da Fundação Palmares/Minc, e "fellow" da organização internacional ASHOKA e membro do Women´s Writes World. 

Graciliana CelestinoXukuru Kariri - Filosofa, fundadora do COIMI, conselho intertribal de mulheres indígenas em 2000; em 1984, com apenas 14 anos, Graciliana foi indicada por sua aldeia para fazer parte do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos das Mulheres;em 2002, ela recebeu o Prêmio Ações Sociais Inovadoras do Banco Mundial (Bird).

Kerexu Guarani - Cacica da aldeia Itaty, no Morro dos Cavalos em Santa Catarina vive sob constante ameaça ao meio do agravamento da violência contra os povos indígenas na região decorrente do processo do andamento da PEC215.

Jovita Maria de Oliveira - É vice-cacique e pajé da Aldeia Kaí, uma das principais lideranças no processo de retomada do Território Pataxó no extremo Sul Baiano. Atua como etnoeducadora na Escola Estadual Indígena Kijetxawê Zabelê no campo da etnomedicina Pataxó, culinária tradicional Pataxó (mãgute) e outros saberes.

Dora Piyãko Ashaninka - Liderança da Aldeia Apiwtxa no Acre e diretora da cooperativa Ayonpare que deu início ao  projeto de empreendedorismo de seu povo, resultando no estimulo da economia local, na criação da escola de saberes da floresta Yorenka Atame e recentemente no projeto de desenvolvimento sustentável premiado pelo BNDS.

Juvelina Krenak - Anciã do Povo Krenak de  Minas Gerais vive em São Paulo na Aldeia Vanuíre e possui 110 anos.

Izabel Wakrtidi Xerente - Anciã de seu povo, com mais de 80 anos continua incansável no movimento indígena sempre presente no Acampamento Terra Livre e outras manifestações, orgulhosa de sua língua, pintura e conhecimento tradicional.

Yatamalu Kamaiurá - Anciã e liderança espiritual de sua aldeia, uma das raras mulheres pajés do Xingu.

Hushahu Yawanawa - Primeira de seu povo a se iniciar e “graduar” no conhecimento ancestral da ayahuasca e da cura tradicional junto com Putanny Yawanawa, participa do crescimento da cultura espiritual de seu povo e da inclusão de gênero, uma das responsáveis pela recuperação dos desenhos sagrados “kenê” e outras práticas artesanais.

Putanny Yawanawa - Primeira de seu povo a se iniciar e “graduar” no conhecimento ancestral da ayahuasca e da cura tradicional junto com Hushahu Yawanawa, é a principal liderança espiritual feminina de sua aldeia, participando do crescimento espiritual de seu povo e da inclusão de gênero, comprometida especialmente com a prática da lingua e do canto tradicional.

Sheyla Juruna - Indígena do Povo Juruna de Boa Vista no município de Vitória do Xingu, Pará. Ativa na luta em defesa do Rio Xingu desde 1989. Parte do Movimento Xingu Vivo Para Sempre (MXVPS), foi agraciada com a medalha de Honra ao Mérito em reconhecimento pela sua luta.

Marciana Guarani  - Uma das principais anciãs da etnia Guarani Mbyá, mora na Aldeia Araponga em Paraty no Rio de Janeiro.

Dorinha Pankará - Cacique da aldeia Pankará no município de Carnaubeira da Penha, na serra de Arapuá em Pernambuco.

Maria Muniz, Maya Pataxó Hã Hã Hãe - Uma das principais articuladoras da educação escolar indígena em Pau Brasil no sul da Bahia. Educadora e conhecida por alfabetizar grande parte dos jovens Pataxó hã hã hãe desde os anos 80 na antiga fazenda São Lucas atual Aldeia Caramuru, dentro do T.I. Caramuru Catarina Paraguassu, é querida por todo seu povo.

Maria Pankararu - Graduada em Pedagogia e História com mestrado e doutorado em Linguística. Ex-Bolsista e Ex-Integrante de Comissão de professores para Seleção de Bolsistas da Fundação Ford/Fundação Carlos Chagas. Trabalha no Núcleo de Educação e Cultura da FUNAI- CTL Ilhéus. Conhecida por ser a primeira mulher indígena Pankararu com doutorado.

Nara Baré  -  Indígena do povo Baré, membro da Comissão Organizadora Nacional da 1ª Conferência Nacional de Política Indigenista. Faz parte da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

Damiana Guarani Kaiowá -  Liderança Guarani Kaiowá da comunidade de Apykai, ameaçada por pistoleiros no Mato Grosso do Sul. 

Silsa Viera Terena - Importante liderança feminina da  Aldeia Moreira do Povo Terena em Mato Grosso do Sul.

Nivalda Tupinambá - Anciã Tupinambá de Olivença do sul da Bahia.

Tanoné Kariri Xocó - Cacica de uma das Aldeias do Povo Kariri Xocó, importante liderança feminina em Alagoas.

Airy Gavião -  Indígena da etnia Gavião do Pará e artesã.

Maial Paiakan Kaiapó - Advogada, atua na defesa de direitos humanos e meio ambiente, atualmente é assistente técnica na presidência da Funai.

Zenir de Souza -  Ex feirante indígena , avó, mãe de família, reconhecida por ser exemplo de mulher Terena em Mato Grosso do Sul. Muitas trabalharam e ainda trabalham em fazendas e na cidade grande parte da vida, anonimas e em busca de melhores condições e renda para suas famílias.

Almerinda Ramos de Lima – Tariano - Diretora Presidente da FOIRN - Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, não poder estar fora dessa relação das 100 mulheres, assim como uma infinidade de mulheres indígenas que estão longe das redes sociais digitais, mas totalmente imersas no cuidado das redes que sustentam a vida.

Watatakatu Yawalapiti - Liderança do Xingu, é uma das idealizadoras da primeira Casa da Mulher Yawalapiti com sua irmã Ana Terra, defensora de direitos humanos, representante da cultura tradicional e defensora do patrimônio imaterial dos povos indígenas, especialmente o direito à imagem contra a apropriação cultural dos elementos sagrados de seu povo.

Ana Terra Yawalapiti - É uma das idealizadoras da primeira Casa da Mulher Yawalapiti com sua irmã Watatakalu, acompanha as pautas nacionais do movimento indígena colaborando para a movimentação nacional contra a PEC215 e defendendo os direitos dos artesãos indígenas.

Maria Valdelice - A Cacica Jamopoty do Povo Tupinambá de Olivença da Aldeia Itapoã em Ilhéus no sul da Bahia. Sua atuação é conhecida pela reconquista do Território Tupinambá de Olivença.

Denizia Kariri Xocó - Escritora, professora e estudante de direito, atua fortemente no movimento de cultura indígena, promovendo os cantos e as práticas tradicionais de seu povo e participando do colegiado setorial indígena no Ministerio da Cultura.

Maria da Ajuda Pataxó Hã hã hãe - Presidenta da associação de mulheres de sua região na Bahia, luta pelos direitos da mulher indígena, se dedicando especialmente à questão da saúde, segurança alimentar e sustentabilidade econômica.

Naiara Tukano - Advogada, foi representante indígena no Conselho Nacional de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (CNPC-minc), atuante no mapeamento dos pontos de cultura indígenas do brasil, participa na articulação da teia de pontos de cultura.

Kaianaku Kamaiura - Estudante de Licenciatura Intercultural Indígena na Universidade Federal de Goiás, defensora de direitos humanos, é atuante na região do centro oeste, especialmente interessada na na questão dos indígenas em contexto urbano.

Suliete Baré - Estudante de Engenharia Ambiental, é presidente da associação dos estudantes indígenas da Universidade de Brasília; tem especial interesse na área de saúde e na luta pelos direitos da mulheres indígenas.

Marinildes Kariri Xocó - Artesã, é membro do colegiado setorial de cultura indígena do Ministério da Cultura, fundadora de uma associação de artesãos indígenas em brasília e liderança da aldeia kariri xocó na capital.  

Concita Sompré -  Educadora, liderança Kyrkatejê, faz parte da Associação indígena Gavião Kyikatêjê. Indígena da etnia Gavião de Marabá no Sul do Pará. Atualmente participa do setorial de cultura indígena da SCDC-Minc.

Jaqueline Irembé Potiguara - Militante indígena do Povo Potiguara, pedagoga, cursou Direito na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), professora de Tupi e fez parte da Rede índios online. 

Vãngri Kaingáng - Arte educadora, ilustradora, artesã e escritora. Indígena Kaingang nascida no Rio Grande do Sul.  Estudou Ciências Biológicas. Desenvolveu trabalho de resgate e reconstituição de grafismos Kaingáng. Atua trabalhando com metodologias de registro e transcrição de tradições e histórias de povos tradicionais.

Juvana Xakriabá - Estudante de Direito e defensora de direitos humanos foi vítima de violência policial durante o protesto do Grito dos Excluídos dia 7 de setembro de 2015 sendo perseguida desde então.

Jaqueline Gonçalves Porto -  Importante ativista do Povo Guarani e Kaiowa da Reserva indígena de Dourados em Mato Grosso do Sul. Defensora dos direitos das mulheres indígenas e de seu povo. 

Irani Macuxi - Faz parte da organização das Mulheres Indígenas de Roraima (OMIR)  e é vice coordenadora da Organização dos Professores Indígenas de Roraima (OPIRR). 

Tainá Khalarje - Realizadora cultural, pesquisadora e ativista marajoara, especialista em gastronomia indígena, desenvolve atividades voltadas para a relação da cultura com o alimento. Fez Ciências Sociais na Universidade Federal do Pará, depois Comunicação Social e especialização no núcleo de estudos de história oral da Universidade de São Paulo (USP).  É presidente da Iacitata Amazônia Viva.  

Mirna Anaquiri - Indígena da etnia kambeba. Artista plástica,  performer e articuladora cultural. Fez licenciatura em Artes Visuais na Universidade Federal de Goias - UFG e participa do projeto Aldeia Digital. Monitora do curso de licenciatura intercultural indígena da UFG. 

Sabryna Taurepang - Nascida na comunidade Araçá, indígena Taurepang de Roraima. Foi acadêmica de Gestão Territorial Indígena na Universidade Federal de Roraima não podendo finalizar. Enfrentou grandes dificuldades no inicio da vida acadêmica por conta de preconceitos e violência urbana. Na persistência de ter uma formação e em entender a sociedade que tanto discrimina os povos indígenas optou por cursar Sociologia na  UNOPAR e recentemente passou no vestibular de Letras/ Espanhol da Universidade Federal de Roraima - UFRR. É membro da gestão do Portal Índio Educa, projeto da par­ceria entre Bra­zil­Foun­da­tion e Em­bai­xada dos Es­tados Unidos da Amé­rica no Brasil, voltando para auxilio na lei 11.645 que acrescentou a obrigatoriedade do ensino da cultura e história indígena nos currículos escolares. 

Olinda Muniz -  Faz parte da juventude indígena do Povo Pataxó Hã hã hãe de Pau Brasil na Bahia, é jornalista e documentarista. Foi etnojornalista na Rede índios Online.

Glicéria Tupinambá - Importante liderança feminina Tupinambá de Serra do Padeiro no sul da Bahia.  Sofreu uma prisão arbitrária com seu bebê de apenas dois meses em seu colo, por agentes da Polícia Federal ao desembarcar no aeroporto de Ilhéus na Bahia em 2010. Na época ela havia voltado de uma reunião com o presidente onde denunciou os crescentes atos de violência e violações de direitos humanos cometidos contra o Povo Tupinambá .

Márcia Wayna Kambeba - Indígena do povo Omágua/Kambeba, é compositora, escritora e mestra em Geografia Cultural. Luta em defesa da cultura, identidade e arte do povo Kambeba.

Simone  Eloy Terena - Advogada e Doutoranda em Antropologia Social no Museu Nacional - UFRJ. Membro do Conselho do Povo Terena e faz parte do ONU Mulheres.

Célia Xakriabá  - Primeira indígena a representar os povos indígenas de Minas Gerais na Secretaria de Educação do Estado. Indígena Xakriabá, do norte de Minas.

Mayra Wapichana - Jornalista, fotógrafa e uma das principais comunicadora indígenas de Roraima. Faz parte da assessoria de imprensa do Conselho Indígena de Roraima(CIR).

Tapixi Guajajara -  Artesã, maranhense e cantora indígena do Povo Guajajara. 

Evelin Kambiwa - Socióloga e ativista dos direitos dos indígenas urbanos na cidade de Belo Horizonte em Minas Gerais. Faz parte do Coletivo Mineiro de apoio a causas indígenas.

Sallisa Vasco  - Formada em Jornalismo e fotógrafa.  É natural de Goiana e de origem Karajá. Ativista dos direitos das mulheres indígenas e articuladora cultural no Rio de Janeiro.

Ivanilde Kerexu - Mulher Guarani Mbyá, liderança feminina atuante em sua comunidade e professora na Aldeia Itaxi em Paraty no Rio de Janeiro. 

Chirley Pankará -  Educadora, articuladora de educação escolar indígena e coordenadora pedagógica dos Centros de Educação e Cultura Indígena (Cecis) em São Paulo, com mestrado em Educação: História, Política, Sociedade. na Universidade Católica de São Paulo - PUCSP.

Mônica Marapara Kaixiana - Graduada em Serviço Social, atuou como Subsecretária de Assistência Social, no município de Santo Antônio do Içá-AM, especiailsta em Gestão de Políticas Públicas de Gêneros e Raça pela UFBA, foi Diretora da FIBRAS Mulher, atuando no Planejamento de Políticas Públicas voltado para Mulher Indígena; atalmente cursa mestrado em Cultura Popular e Educação na UFBA.

Eduarda Tuxá -  Atuante na defesa dos direitos indígenas, natural de Rodelas na Bahia, estudou Direito na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). 

Sandra Benites Guarani Nhandewa - É professora, nascida na aldeia Porto Lindo, no Mato Grosso do Sul, cursou o  Magistério Indígena na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mora no Rio de Janeiro e cursa mestrado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ.

Sairema Ferreira Pataxó -  Professora na Escola Indígena Pataxó Coroa Vermelha na Bahia.

Indianara Machado Kaiowa -  Formada em enfermagem pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). É uma das idealizadoras e membro da Ação de jovens indígena de Dourados- AJI, criada em 2003 e voltada para jovens indígenas promovendo oficinas. 

Marina Terena - Formada em Geografia. Indígena Terena do Mato Grosso do Sul.  Palestrante. Mestranda em Geografia na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).  Fez Especialização em História e Cultura dos Povos Indígenas na UFMS. Integrante da gestão do Portal Índio Educa, com o apoio da ong THY­DÉWÁ, fruto da par­ceria entre Bra­zil­Foun­da­tion e Em­bai­xada dos Es­tados Unidos da Amé­rica no Brasil, para a Pro­moção da Igual­dade Ra­cial e Ét­nica (JAPER). 

Djuena Tikuna - Uma das cantoras indígenas mais famosas do Brasil da etnia Tikuna do Amazonas. Estudante de Letras e Comunicação social. 

Twry Pataxó - Artesã, emprededora e indígena Pataxó da Bahia. Fundadora da ONG Mães da Maré no Rio de Janeiro, voltada para a produção de artesanato por mulheres das comunidades da região com o objetivo de ajudar na fonte de renda e sustento para suas famílias. Trabalhando com o emponderamento e autoestima de mulheres indígenas e não indígenas.

Lia Minapoty - Escritora, nascida na aldeia Yãbetue'y, Minapoty é uma das lideranças  femininas maraguás. 

Micheli Kaiowa - Pedagoga e indígena kaiowa da Aldeia Bororó na cidade de Dourados no Mato Grosso do Sul. Fez parte do projeto Índio Educa, voltado para a Pro­moção da Igual­dade Ra­cial e Ét­nica (JAPER), auxiliando em conteúdos escolares para professores dos ensinos médio e fundamental no ensino da Historia Indígena. Integrante da Ação de jovens indígena de Dourados- AJI.

Ana Luiza Oliveira - Cantora indígena da etnia Pankararu que ganhou destaque ao lado do músico da mesma etnia Gean Ramos. 

Franca Wa´utomonhinhê´Ô Tsipiradi - Primeira mulher indígena xavante de sua aldeia em Mato Grosso a cursar enfermagem na Universidade Federal de Goiás (UFG).

Dinalva Campos - Indígena do povo Tariano no Amazonas. Coordenadora do  Núcleo de Arte e Cultura Indígena de Barcelos.

Shirley Krenak - Professora atuante na defesa dos direitos indígenas e ambientais. Indígena do Povo Krenak de Resplendor, Leste de Minas Gerais.

Djerá Rete  - Guarani da aldeia Tekoá Ytu, da Terra Indígena Jaraguá, no município de São Paulo. Integrante do Conselho Gestor de Saúde da Aldeia e Agente Cultural do Programa Aldeia, do Centro de Trabalho Indigenista – CTI.

Benilda Kadiweu - Design e indígena do Povo Kadiweu de Bodoquena da Aldeia Alves de Barros em Mato Grosso do Sul. É conhecida por fazer peças que são confeccionadas com materiais diversos e arte inspirada em sua cultura.

Zahy Guajajara -  Modelo, atriz, fotógrafa, cantora e poeta. Estudante na Escola de Artes Visuais Parque Lage no Rio de Janeiro. Indígena Guajajara nascida no Maranhão. Realizou vários trabalhos para televisão. Primeira indígena mulher participar de um hit do gênero musical dub cantado em língua tupi no Brasil. 

Graciela Guarani - Cinegrafista, roteirista e fotógrafa. Nascida no Mato Grosso do Sul, Aldeia Jaguapiru, TI Dourados. Foi parte do núcleo audiovisual da  Ação dos Jovens Indígenas  e atua na produtora Indígena Petei Xe Ra. Participou da Rede Índios Online. 

Vanessa Ayani Huni kuin - Indígena acreana.  Artesã, estudante e primeira  mulher do povo Huni Kuin cinegrafista. 

Severiá Idioriê - Filha de indígenas Karajá e Javaé. Mestranda em Educação na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Professora Especialista em Educação Intercultural pela UNEMAT. Professora da Escola Estadual Indígena de Educação Básica Etenhiritipá, da Aldeia Wede´rã. 

Nádia Acauã Tupinambá -  Artesã, liderança feminina, articuladora de politicas culturais indígenas e  professora da Escola Estadual Indígena Tupinambá de Olivença na Bahia.

Graça Potyra -  Artesã, mãe e ativista dos direitos de indígenas em contexto urbano no Rio de Janeiro. Indígena nascida no Maranhão, veio para o Rio de Janeiro em busca de trabalho e formou sua família.

Adana Kambeba ou Danielle Soprano Pereira - Natural do  Amazonas e da etnia Kambeba. Aprovada no vestibular de Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É cantora, compositora, instrumentista e atriz. Ficou conhecida por interpretar a personagem Kaiulú no filme Xingu.

Maria Diva Maxakali - Liderança feminina da etnia Maxakali de Minas Gerais.

Nelly Duarte  - Indígena Marubo da aldeia Posto Indígena Curuçá, no vale do rio Javari, Amazonas. Cursou Bacharelado em Antropologia na Universidade Federal do Amazonas, hoje é aluna do curso mestrado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional/UFRJ. 

Darlene Taukane - Indígena da aldeia Pakuera na Terra Indígena Bakairi, no Mato Grosso. Mestre em Educação pela UFMT. Membro do Instituto Yukamaniru de Apoio às Mulheres Indígenas Kura Bakairi.

Jera Guarani - Pedagoga indígena Mbyá da  aldeia Tenondé Porã, no extremo sul de São Paulo.
Leila Pataxó - Poeta e militante, é graduada em Turismo e representante no colegiado setorial de cultura indígena da SCDC-Minc.

Nita Tuxá -  Formada em Psicologia. Indígena do povo Tuxá de Rodelas na Bahia.

Rayane Baré - Estudante de enfermagem na Universidade de Brasília, milita especialmente na área de saúde de mulheres indígenas, atuante no movimento da juventude indígena nacional e internacional.

Andreia Guarani Nhandewa - Advogada paranaense, membro da ARPINSUL, participa da ONU mulheres como representante indígena.

Avani Florentino Fulni-ô - Artesã, liderança feminina,  participou da Comissão Organizadora da III Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial em São Paulo, representando o Conselho Estadual dos Povos Indígenas em 2013.

Maria da Conceição Machado - Pós - Graduada em Educação Indígena na Universidade Federal Fluminense - UFF. Licenciada em Português e Literaturas, bacharel em Língua e Literatura Francesa. Graduanda em Língua e Literatura  Alemã. 

Ceiça Pitaguary -  Liderança indígena feminina da região nordeste, da etnia Pitaguary. Faz parte da  Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme).

Paulina Martines Guarani  - Vice-cacique  da Tekoha Y'Hovy em Guaíra no Paraná.

Joana Munduruku - Historiadora, coordenou o projeto Conhecendo e Preservando as Culturas Indígenas do Tocantins. Foi gerente de Educação indígena na SEDUC de 2000 a 2002, coordenadora do Patrimônio Histórico da Fundação Cultural, assessora Especial da superintendência do Patrimônio Material e Imaterial  e Cultura Indígena na Fundação Cultural do Estado. Membro titular no Colegiado de Culturas Indígenas do CNPC/MinC – 2013 a 2015 e Mediadora do Colegiado de Cultura Indígena do Conselho de Cultura do Estado do Tocantins; Membro titular no Colegiado de Patrimônio Imaterial do CNPC/Minc; Conselheira Suplente no Conselho Nacional de Políticas Culturais- CNPC/MinC, também assessora da Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins desde 2015.

Marta Tipuici Manoki - Liderança feminina, atuante na luta pelos direitos dos universitários indígenas e ativista pelos direitos indígenas. 

Jane Caxixó - Indígena Caxixó de Minas Gerais, mestre nos saberes das plantas medicinais do Cerrado, luta pelo resgate e fortalecimento da cultura de seu povo.

Maria Leusa Munduruku - Liderança  feminina do movimento Ipereg Ayu de luta e resistência contra as hidrelétricas no rio Tapajós, foi à França receber o Prêmio Equador concedido pela ONU, reconhecendo o protagonismo do seu povo contra as usinas. Foi vice-presidente da Associação Pussuru.

Carolina Rewaptu - Professora e especialista em Educação Escolar Indígena da etnia Xavante. Atuante na luta contra a destruição da Terra Indígena  Marãiwatsédé.


terça-feira, 1 de março de 2016

Literatura indigena: da oralidade ao papel

Da oralidade ao papel

Fonte: CORREIOBRAZILIENSE • 3,
Brasília, segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016 


                                                                                       Osvaldo Reis/Esp. CB/D.A Press

  Daniel Munduruku: “Comecei a mudar um pouquinho o jeito de dar aula,
porque inseri os mitos indígenas”

“O índio sabe escrever de várias maneiras, se a gente está fazendo um colar ou uma esteira, por exemplo, estamos escrevendo e registrando nossa cultura”. Nas palavras de Graça Graúna, professora e primeira índia com doutorado na área de literatura, a arte indígena tem várias faces, que vão da tradição oral aos livros com o retrato da cultura dos povos. Como ressalta Graúna, as histórias das chamadas sociedades tradicionais, não são voltadas para determinada faixa etária, mas a representação de mitos, lendas, aventuras e costumes encantam crianças e adultos ao dar voz a contos passados por gerações. “Partindo de histórias contadas pelos mais velhos, os mais jovens aprendem muito, sem rótulos, apenas com a percepção dentro da cultura indí- gena”, acrescenta a escritora. Assim como a professora, outros escritores, como Yaguarê Yamã e Daniel Munduruku, transformam o grafismo das etnias a que pertencem em livros que fortalecem a literatura brasileira e mostram a força do imaginário tradicional.“A história oral émuito bonita e tem que ser mantida, mas quando a gente passa a escrever essa história, além de passar toda a tradição mostramos o que existe na nossa cultura”, afirmaYaguarê, que completa dizendo que escrever tanto contos tradicionais, quanto os inspirados em personagens reais, ajuda manter vivos os ensinamentos e os encantos dos povos:“Acho que tem muita história perdida, porque osmais velhos estãomorrendo e não estão conseguindo passar esses contos com a agilidade que estamos vivendo”. Já para o professor Daniel Munduruku, por mais que a divulgação da cultura seja importante, a publicação de livros ainda é difícil. “Quando pensamos em publicar um livro, precisamos pensar no mercado consumidor da sociedade que é seletivo e cria barreiras para publicar livros de literatura indígena”, afirma. Segundo Munduruku, as editoras se interessam em publicar quando há a possibilidade de o governo colocar nos editais, mas como esses também são restritos, a literatura continua prejudicada.

Partindo de histórias contadas pelos mais velhos,
os mais jovens aprendem muito” (Graça Graúna, escritora)


                                                                                                                                     Íris Cruz/Esp. CB/D.A Press



“O índio sabe escrever de várias maneiras, se a gente está fazendo um colar ou uma esteira, por exemplo, estamos escrevendo e registrando nossa cultura” (Graça Graúna)



Escritores indígenas encantam
crianças e adultos com
histórias tradicionais


Histórias encantadas

Yaguarê conta que, na comunidade em que vive, faz parte da cultura diária sentar em um local chamado Mirichawaruca, que significa casa de contar histórias em Maraguá, e reunir crianças e adultos à luz do por-do-sol para ouvir contos. “Desde pequeno gostava de criar histórias e imaginar. Na minha etnia somos conhecidos por ser contadores de histórias de fantasmas”, acrescenta. Foi de hábitos como esse que o escritor decidiu transformar as riquezas orais em páginas de livros e, assim, conquistar diferentes idades com narrativas e ilustrações que simbolizam as aventuras da tribo. Um curumim, uma canoaPequenas guerreiras Formigueiro de Myrakãwéra são exemplos de obras publicadas por Yamã. “Os mais velhos, curandeiros e chefes das aldeias contam histórias para os pequenos se prepararem e aprenderem a lidar com os espíritos da floresta, o futuro e os perigos da vida”, comenta o professor. A inspiração para escrever vem do amor às raízes. “Hoje sou uma pessoa realizada que, além de propagar a contação de história do meu povo, recrio e crio histórias. A história é minha, mas todos os personagens e monstros que habitam minha aventura são do povo”, completa.

A luta

Autora de Canto MestiçoFlor da mata Criaturas de Ñanderu, Graça Graúna, conta que a sociedade ainda é preconceituosa e dominante. Por isso não aceita as diversas formas de escrita indígena. “Tiramos o preconceito, mas sempre vão olhar a gente como se fosse um animal exótico, como se a gente não tivesse o que dizer”, critica a escritora.Segundo Graúna, a literatura dos povos tradicionais reporta à maneira de viver, não se refere ao eu individualista, mas ao eu coletivo, ao povo. “Escrevo mostrando que a palavra indígena sempre existiu. A literatura está no jarro, no rosto, no corpo; ao dançar a gente escreve história por meio do ritmo, por exemplo”, ressalta a professora. O professor e escritor Daniel Munduruku explica que algumas pessoas acreditam que colocarhistórias indígenas no papel é fazer uma violência com a oralidade, mas, para ele, o trabalho dos escritores é preservar uma memória que o hoje tem o suporte do livro para se manter. “Acho que o registro é fundamental para criar uma memória afetiva e ancestral”, acrescenta.Diretor-Presidente do Instituto Uk´a—Casa dos Saberes Ancestrais, Daniel Munduruku conta que a literatura despertou nele interesse filosofia e virou educador. “Na época que era professor, comecei a mudar um pouquinho o jeito de dar aula, porque inseri os mitos indígenas e mostrar que a nossa cultura segue o mesmo processo que o mundo inteiro”, explica Munduruku. Segundo ele, a escrita veio como uma resposta às perguntas que os alunos faziam sobre a vida nas tribos. “Um dia uma menina me perguntou onde encontrava as histórias que contava para ler e isso me alertou para a ideia de escrever aqueles contos”, comenta. Kabá DarebúCoisas de índio O segredo da vida são alguns nomes de obras do professor.