sábado, 1 de agosto de 2015

Poesia com a Mãe Terra

Poetas indígenas de todo o mundo se unirão no México: grito da terra

"(Idiomas) nos levam a um objetivo comum: aproximar-se a Mãe Terra com vozes e canções"

Imagem extraída do site: www.adital.com.br


Quase uma centena de poetas de diferentes povos nativos dos cinco continentes se reunirão no México, em outubro 2016 como parte do primeiro Mundial da Poesia Encontro dos Povos Indígenas, concurso que tem como objetivo ser um grito de alarme sobre a crise ambiental na planeta. 

O evento, que foi apresentado hoje no âmbito do Festival Internacional de Poesia de Medellín, visa promover um movimento artístico que sensibilizar a humanidade convocando as diferentes expressões poéticas dos povos indígenas "em uma reunião mundial de vozes de cores" de acordo os promotores.
 

E é que "a poesia é o conteúdo que chorar" da terra, explicou à Efe Juan Gregorio Regino, um dos organizadores da reunião a ser realizada entre os dias 17 e 22 de Outubro do próximo ano.
 

Regino disse que esta reunião nasceu quando um grupo de pessoas perceberam que os ensinamentos dos povos indígenas pode servir "para unir em torno de um tema central, a deterioração do meio ambiente" um problema "que nos preocupa a todos."
 

Em sua opinião, a reunião terá uma essência especial, uma vez que os povos nativos em todo o mundo, não só levantar suas vozes para exigir "seus direitos à terra ou política, mas para chamar a atenção para a humanidade deste problema global" .
 

"É muito significativo que a partir de povos indígenas para o mundo esta chamada é feita porque eles mantêm um vínculo muito próximo com a natureza, divindades ou o ambiente e são o melhor que podemos discutir esta questão", acrescentou.
 

O festival, que será apresentado em diferentes sítios arqueológicos de pré-hispânica do México, vai ser adaptado às especificidades das culturas ancestrais, onde a poesia tem um papel-chave na cultura oral que é usado para transmitir conhecimentos e tradições.
 

Portanto, os participantes encontrar "poesia nem sempre escrito," de acordo com Regino.
 

"Também vamos conhecer um conceito de poesia que quebra a tradicional ocidental, com a coordenação entre palavra, dança e música. É uma perspectiva totalitária da arte e palavras. Tem que ser algo diferente", disse ele.
 

A reunião virá 80 poetas de 20 países em todo o mundo para recitar em mais de 30 línguas, o que para Natalio Hernández, membro do conselho de organização, não é um problema, porque "um mosaico de línguas que nos trazem" é gerada.
 

Hernandez, membro do povo Nahuatl, disse à Agência Efe que as línguas faladas agora "são classificados em cada um dos países", mas "vibrar e cantar uma música juntos."
 

"(As línguas) vai nos levar a um propósito comum: aproximar-se a Mãe Terra com vozes e canções", disse ele.
 

Neste sentido, ressaltou a importância dos povos indígenas são aqueles que tomar a palavra, porque "sempre tiveram uma relação muito próxima com a terra."
 

O poeta, que também participar do Festival Internacional de Medellin, exemplificou essa relação com as pessoas que, para este dia, "ainda fazer a sua fogueira em um relacionamento direto com a terra não com estes instrumentos e equipamentos eletrônicos".
 

Isso pode ser especialmente visto na Austrália ", onde mantêm uma estreita relação com a agricultura e pastagem", que cria um vínculo muito forte, disse Hernandez.
 

Esta primeira reunião terá lugar no México, porque, de acordo com a comissão organizadora, "é um líder internacional na promoção e difusão da literatura em línguas indígenas".
 

Entre os objetivos dos promotores é consolidar o evento anualmente e tem a sua sede girar pelos países dos cinco continentes.

  
FONTE: Jornal Libre.co (República Dominicana) e José Vasquez Gaviria



terça-feira, 28 de julho de 2015

Conversando sobre literatura indígena na Revista Palimpsesto

          
          
          A Palimpsesto é uma Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras, da UERJ.  Na edição 20, a Revista Palimpsesto (UERJ) traz uma entrevista comigo. Na opinião dos editores, com a minha forma de ver e de ler o mundo, apresento um pouco do universo ameríndio. Conversamos sobre o crescimento de obras de autores indígenas no mercado editorial, a luta pelos direitos indígenas e a importância da lei 11.645/08, que torna obrigatório o estudo da história e da cultura indígenas nas escolas.
Boa leitura!
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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Protagonismo indígena no Curso Dimensões no Museu do Índio

MUSEU DO ÍNDIO / RJ

quarta-feira, 15 de julho de 2015




Integrante da equipe de professores indígenas que vão ministrar as aulas do curso Dimensões das Culturas Indígenas do Museu do Índio, a escritora  potiguara(RN),Graça Graúna, falará sobre “Literatura indígena: entre lugares, memórias e utopias”. 

Com doutorado pela Universidade Federal de Pernambuco e pós-doutorado pela Universidade Metodista de São Paulo, Graúna assina diversas publicações entre as quais, “Flor da mata”(poesia),“Contrapontos da Literatura Indígena Contemporânea no Brasil”, “Criaturas e Ñanderu”. Em abril deste ano, lançou na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o livro coletivo “Memórias do movimento indígena do Nordeste”. Graça Graúna é também responsável pelo blog www.tecidodevozes.blogspot.com, que aborda especificamente questões indígenas.

O curso Dimensões acontece no Museu do Índio/RJ, de 20 a 31 de julho.
Últimos dias de inscrições. Informe-se pelo telefone (21) 3214 8718 ou pelo email
divulgação.cientifica@museudoindio.gov.br

Comunicação Social/ MI
15/07/2015


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Curso Dimensões das Culturas Indígenas 2015

Encontro de escritores e artistas indígenas em Mato Grosso


CURSO DIMENSÕES DAS CULTURAS INDÍGENAS 2015
PROTAGONISMO INDÍGENA EM EDUCAÇÃO, LITERATURA E POLÍTICA
20 A 31 DE JULHO, DAS 14 ÀS 17 HORAS
CURSO MINISTRADO POR INDÍGENAS

PROGRAMAÇÃO

20/7 – SEGUNDA-FEIRA: LUIZ HENRIQUE ELOY (Terena, doutorando em Antropologia Social/Museu Nacional/UFRJ) – Terra tradicionalmente ocupada: o local de direitos coletivos;

21/7 – TERÇA-FEIRA: MARIA DAS GRAÇAS FERREIRA (GRAÇA GRAÚNA) (Potiguara, doutora em Teoria da Literatura/UFPE) – Literatura indígena: entre lugar, memórias e utopias;

22/7 – QUARTA-FEIRA: MARIA DAS DORES DE OLIVEIRA (MARIA PANKARARU) (Pankararu, doutora em Linguística/UFAL) – Ofayé, a língua do povo do mel;

23/7 – QUINTA-FEIRA: GERSEM JOSÉ DOS SANTOS LUCIANO (Baniwa, doutor em Antropologia/UnB) – Educação para manejo do mundo: o desafio da escola indígena;

24/7 – SEXTA-FEIRA: MESA REDONDA SOBRE EDUCAÇÃO E CULTURA INDÍGENA – Jera Poty Mirim (Guarani/SP), Lucas Benites Xuru Mirim (Guarani/RJ), Jucimar Paikyre (Bakairi/MT) e Algemiro Poty (Guarani/RJ);

27/7 – SEGUNDA-FEIRA: WANDERLEY DIAS CARDOSO (Terena, doutor em História/PUC-RS) – A história da educação escolar para o Terena;

28/7 – TERÇA-FEIRA: DANIEL MUNDURUKU MONTEIRO COSTA (Munduruku, doutor em Educação/USP) – O caráter educativo do movimento indígena brasileiro: o estado da arte;

29/7 – QUARTA-FEIRA: RITA GOMES DO NASCIMENTO (Potiguara, doutora em Educação/UFRN) – Panorama atual da política nacional de educação escolar indígena: perspectivas e desafios;

30/7 – QUINTA-FEIRA: TONICO BENITES (Guarani Kaiowá, doutor em Antropologia Social/Museu Nacional/UFRJ) – A trajetória e a luta contemporânea dos povos Guarani, subgrupos Mbya, Ñandeva e Kaiowá;

31/7 – SEXTA-FEIRA: MESA REDONDA SOBRE A MULHER INDÍGENA NA UNIVERSIDADE – Nelly Dollis (Marubo/AM), Simone Eloy (Terena/MS) e Sandra Benites (Guarani/RJ).

HORÁRIO DO CURSO: DAS 14 ÀS 17 HORAS.
INSCRIÇÕES A PARTIR DE 01 DE JUNHO NO MUSEU DO ÍNDIO/COORDENAÇÃO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA – RUA DAS PALMEIRAS 55 – BOTAFOGO – RIO DE JANEIRO/RJ –      CEP 22.270-070 – TEL. 21-32148718 - 
Horário de inscrição: segunda a sexta-feira, das 10:00 às 17:00 horas.
Taxa de inscrição: Profissionais – R$ 300,00; Estudante (com comprovante obrigatório) – R$ 150,00.

TODOS OS ALUNOS RECEBERÃO PUBLICAÇÕES DO MUSEU DO ÍNDIO

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Vozes indígenas do Nordeste são eco e semente do canto da Terra



Vozes indígenas do Nordeste são eco e semente do canto da Terra



Graça Graúna
(Potiguara/RN)


Posso falar do meu jeito? Por onde devo começar? Escrever: por que, pra que, pra quem? Qual é o meu lugar nessa história? Estas perguntas não partem de um só individuo, embora esteja implícita nelas a primeira pessoa do singular.  Quando se trata de memórias vindas dos povos originários, a voz do texto é plural, é coletiva porque é do coletivo que brota a esperança da terra. Nesta perspectiva, o livro “Memórias indígenas do Nordeste” se complementa aos “Percursos cartográficos”. Somos um porque somos filhos da Terra.
Meu coração bateu forte com a chamada do vento metamorfoseado numa convocatória aos parentes indígenas do Nordeste para somar memórias, histórias, resistência... num só movimento. Porque somos um, intuímos que:

O Planeta está vivenciando uma nova grande virada e já não é mais possível ser separado... Para sobrevivermos temos que viver sendo parte da Natureza, temos que respirar junto com toda vida, compondo nosso organismo vivo, que o científicos chamam de Gaia e nós, aqui, de Mãe Terra. Na nova era não existe mais a divisão, não faz mais sentido falar de você separado de mim... Somos um. (GERLIC, em depoimento pessoal, 24.abr.2015).

Com esse espírito, a convocatória se transformou na vigésima terceira edição da coleção “Índios na visão dos índios”, da Ong Thydêwá.  Mais um livro coletivo e na sua largueza duplamente intitulado: “Memórias do movimento indígena do Nordeste” e “Percursos cartográficos”; lançado em meio as manifestações da Semana dos Povos Indígenas no Brasil, em 2015
Com a chamada do vento, o primeiro capítulo organizado por Gabriela Saraiva de Melo e Sebastián Gerlic reúne as memórias (em verso e em prosa) dos parentes Fulni-ô (PE), Kanindé (CE), Karapotó (AL), Kariri-Xocó (AL), Pankararu (PE), Pataxó (BA), Pataxó Hãhãhãe (BA), Payaya (BA), Potiguara (PB e RN), Quixelô (CE) e Tupinambá (BA). O segundo capítulo foi organizado por Laila T. Sandroni, Bruno Tarin e Jaborandy Tupinambá e trata dos percursos vivenciados também pelos Karapotó Plaki-ô, Kariri-Xocó, Pankararu, Pataxó de Barra Velha, Pataxó de Cumuruxatiba, Pataxó Hãhãhãe, Tupunambá e Xokó (SE).
Memória e percurso não se separam, tanto assim que peço licença para externar as emoções durante os lançamentos do nosso livro na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em 10 de abril e na Universidade de Pernambuco (UPE), Garanhuns, em 15 de abril. Na UERJ, o pequeno auditório ficou lotado; a Profª Rita de Cássia Miranda Diogo abriu as portas do Curso de Mestrado em Literatura Brasileira e nos ofereceu uma manhã recheada de curiosidades, conversa, poesia  e admiração à história e à cultura indígenas. O nosso livro foi lançado virtualmente, pois o Correios atrasaram na entrega; mas isto não invalidou o lançamento, considerando que a Thydêwá disponibilizou no site (www.thydewa.org/downloads) o nosso livro em download. Com efeito,  isto gerou na plateia o desejo de acessar o livro, gratuitamente. Na ocasião, o Prof. José Bessa apresentou uma calorosa apreciação  à nossa publicação e enfatizou a riqueza que é um trabalho coletivo dessa natureza. Alguns alunos não esconderam suas emoções ao relatarem o momento impar no contato com as memórias indígenas compartilhadas pelos próprios indígenas.
Na Upe, o lançamento contou com a doce presença  da parente guerreira Elisa Pankararu. A Profª Jaciara Josefa Gomes, Coordenadora de Letras, acolheu a presença de todos que surperlotaram o auditório. O lançamento contou com o apoio do Grupo de Estudos Comparados: literatura e interdisciplinaridade (Grupec) que organizou o evento. Elisa abordou sobre a educação nas aldeias e a sua trajetória no movimento indígena. Na ocasião, fiz leituras dos percursos cartográficos do Cacique Bá (Xokó), de Nhenety (Kariri-Xocó) e da memória dos Pataxó, de Reginaldo Kanindé, de Marleide Quixelô  e muitos outros parentes. À medida que Elisa e eu falamos, as imagens do nosso livro foram projetadas no telão. Houve perguntas sobre a lei 11645/08 e muitas demonstrações de afeto em torno da nossa cultura e história indígena. Uma curiosidade: no horário noturno, os alunos geralmente largam mais cedo; dessa vez foi diferente, pois  o tempo se estendeu com a plateia de estudantes e professores (de diferentes Cursos)  relatando também suas impressões em torno dos saberes indígenas e a beleza gráfica do nosso livro. 
 Confesso uma certa preocupação com o tempo que é tão curto para dar conta de tantos saberes indígenas e não indígenas e pelas tantas leituras do mundo que intuímos também do mestre Paulo Freire. Por outro lado, acolho com serenidade os sinais de esperança que brotam da terra em meio a luta de cada dia em que homens, mulheres, crianças, jovens, anciãos e anciãs indígenas enfrentamos ao longo do caminhar. Porque faz parte da luta a consciência pelo direito da terra, faço minha a leitura do mundo de Xahey Marlene Pataxó (BA): “Eles falam que nós índios somos preguiçosos e para que nós queremos terra, se nós não trabalhamos em cima dela? [...] queremos nossa terra para viver de nosso jeito, para criarmos os nossos filhos e netos, tataranetos, de nosso jeito” (p.22).  

“Memórias do movimento indígena do Nordeste” e  “Percursos cartográficos”: um livro coletivo contado, cantado, escrito, protagonizado por indígenas. Um livro que é fruto da consciência de que somos um na luta pelo reconhecimento, pela recuperação do território, pelo fortalecimento cultural, pela afirmação identitária, pelo respeito as diferenças.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Memórias do movimento indígena do Nordeste



INDÍGENAS PRODUZEM LIVRO SOBRE A MEMÓRIA DO MOVIMENTO INDÍGENA DO NORDESTE

Indígenas autores de 11 etnias do Nordeste produzem e lançam o 23° livro da coleção ÍNDIOS NA VISÃO DOS ÍNDIOS
Com o título “Memórias do Movimento Indígena do Nordeste”, 16 indígenas escrevem partilhando suas ideias e opiniões. Sabendo que é na memória que está a garantia de um futuro melhor para todos; os indígenas estão fazendo circular 1000 exemplares impressos e disponibilizando gratuitamente na internet seu trabalho coletivo.
“Este livro é um registro histórico que deixa na memória das futuras gerações a nossa forma de viver e as transformações pelas quais passamos, em sua grande parte, sem nosso consentimento. Por meio dele o povo poderá refletir e não deixar que o lado escuro da história se repita”, afirmou Alexsandro Potiguara, um dos autores do livro.
Contando com o apoio do IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus, autarquia do Ministério da Cultura – através do edital público “Memórias Brasileiras”, a ONG Thydêwá, que vem trabalhando desde 2001 com o emponderamento dos indígenas e promovendo o fortalecimento de suas vozes e expressões, convocou e organizou este novo livro, que está dentro da premiada coleção “Índios na Visão dos índios”.
Neste título, o 23° da coleção, indígenas Pankararu, Potiguara, Pataxó, Fulni-ô, Kariri-Xocó, Tupinambá, Quixelô, Pataxó Hãhãhãe, Kanindé, Karapoto Plaki-ô, Payayá e Xokó, com toda liberdade e força, partilham através de escritos, fotografias e desenhos suas memórias, sentimentos e visões
O livro ainda conta com fragmentos de um trabalho cartográfico protagonizado por indígenas de 08 comunidades do Nordeste que mantém Pontos de Cultura Indígena dentro de seus territórios, projeto que conta também com o apoio da ONG Thydêwá e do Ministério da Cultura; desta vez, via Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural.

Serviço: lançamento em Pernambuco e no Rio de Janeiro
Quem: ONG Thydêwá, com a parceria do IBRAM – Ministério da Cultura
Quando: 
10 de abril, na UERJ, Dep. de Letras, pela manhã.
                 15 de abril, no auditório da UPE/Campus Garanhuns, às 19h:30min.
Sugestões de fontes: contatos@thydewa.org – Sebastián Gerlic 73 3269 1970 www.thydewa.org e www.facebook.com/memoriasindigenas