domingo, 1 de junho de 2014

II Colóquio Língua e Educação Indígena na Aldeia Fulni-ô!


Imagem extraída do Colóquio

Dias 24 e 25 de julho de 2014

         O Colóquio Língua e Educação Indígena é um evento de natureza acadêmico-científica e extensional que busca levar à comunidade indígena Fulni-ô e às comunidades educacionais – professores, estudantes da educação básica, estudantes da educação superior dos muitos cursos ofertados na região por universidades privadas, pela rede UAB, pelos Campi avançados de Universidades Federais e Estaduais e de Institutos Federais – os resultados dos trabalhos efetuados nas academias sobre a questão indígena, mais especificamente língua e educação, de modo a difundir as informações, provocar debates e reflexões e instrumentalizar a comunidade para atuação em áreas indígenas.
Coordenação do evento:
Profa. Dr. Januacele da Costa (UFAL/Campus Maceió)
Profa. Ms. Fábia Fulni-ô (UFAL/Campus Sertão)

Organização:
Faculdade de Letras/UFAL, CAMPUS MACEIÓ
Curso de Letras/UFAL, CAMPUS SERTÃO
Núcleo de Estudos Indigenistas/UFPE
Núcleo de Estudos Indigenistas/UFAL

·         Presenças confirmadas
Dra. Stela Lameiras (UFAL) 
Dra. Stella Telles (UFPE)
Dr. Aldir Santos de Paula (UFAL)
Dr. Miguel Oliveira (UFAL- Maceió)
Dra. Eliane Barbosa (UFAL-Maceió)
Ms. Eronilma Barbosa (IFAL)
Dr. Ivamilson Barbalho (UFAL)
Dr. Jair Barbosa (UFAL)
Ms. Anari Braz Bomfim (CNE/MEC)
Dra. Edineide Santos (UniCEUB)
Dr. Rafael Lima (UFRPE)

·         Áreas Temáticas

1. Línguas Indígenas; 
2. Educação indígena; 
3. Leitura e produção de textos; 
4. Ensino de língua estrangeira;

5. Documentação de línguas ágrafas; 
6. Produção de Material Didático em Língua Materna (indígena); 
7. Descrição de línguas indígenas; 
8. Políticas Educacionais para a Educação Indígena.
9. Variação linguística e ensino

·         Instituições Promotoras

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – UFAL/Campi Maceió e Sertão
Núcleo de Estudos Indigenistas/UFAL/Campus Maceió
Núcleo de Estudos Indigenistas/UFPE/ Campus Recife
Escola Estadual Indígena Fulni-ô Marechal Rondon


terça-feira, 15 de abril de 2014

Documentário "Índio cidadão?" denuncia a violência contra os povos indígenas

14/4/2014

Crédito: João Américo, Secom/MPF

Sessão de pré-estreia do documentário "Índio Cidadão?" foi marcada por críticas a violações de direitos

 
Foto: João Américo, Secom/MPF

Para a subprocuradora-geral da República e coordenadora da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (populações indígenas e comunidades tradicionais), Deborah Duprat, o momento atual é "o período mais dramático da história indígena", marcado por "um grupo que promove o discurso do ódio". O diretor do documentário, Rodrigo Siqueira, questiona: "Quanto tempo mais esse país vai negar sua identidade indígena?". Ambos participaram, na tarde desta segunda-feira, 14 de abril, de debate que se seguiu à sessão de pré-estreia do documentário "Índio Cidadão?".

Produzido pela 7G Documenta, o filme resgata a história da campanha popular promovida por povos indígenas na Constituinte, entre 1987 e 1988, e documenta a atuação recente do movimento indígena em defesa de seus direitos constitucionais, ameaçados, por exemplo, pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 e pelo Projeto de Lei Complementar (PLP) 227. Em 2013, grandes mobilizações foram promovidas em Brasília pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

A PEC 215 propõe que a demarcação de terras indígenas não seja mais exclusividade do Executivo e passe a aprovação de novas demarcações e a revisão daquelas já homologadas para o Legislativo. Já o PLP 227 define áreas que não poderiam ser demarcadas por se tratarem de "bens de relevante interesse público da União", como terras de fronteira, perímetros rurais e urbanos de municípios e áreas produtivas.

Além de Duprat e Siqueira, compuseram a mesa o procurador da República Marco Antonio Delfino de Almeida, que tem atuação destacada na temática no Mato Grosso do Sul, estado marcado por conflitos entre indígenas e não indígenas; a indígena Valdelice Veron, filha do cacique guarani kaiowá Marcos Veron, assassinado no município de Juti (MS) em janeiro de 2003; os também indígenas Ailton Krenak e Álvaro Tukano; e a deputada federal Erika Kokay.

Confira algumas de suas principais falas:
  • Marco Antonio Delfino relata situação indígena em MS: "Quadro de violação dos direitos humanos gravíssimo"
  • Erika Kokay: "Em uma sociedade pautada pelo consumo, os indígenas lutam (contra o poder econômico) pelo direito de ser"
  • Erika Kokay: "Nossa constituição está sendo ameaçada" (...) "quando parlamentares apresentam uma PEC como a 215"
  • Álvaro Tukano: "Este filme deve ser exibido mas escolas públicas e privadas, nas universidades"
  • Álvaro Tukano: "O Congresso brasileiro não pode continuar decidindo sem a presença de indígenas"
  • Ailton Krenak: "Desafio que o Estado não seja omisso nos casos de violência contra crianças e mulheres indígenas"
  • Ailton Krenak: "Parece que a fala do povo indígena não encontra audição nas instituições do Estado brasileiro"
  • Valdelice Veron: "Queria pedir pra vocês fazer o papel falar" (que valham as demarcações)
  • Valdelice Veron: "Não sei mais pra onde pedir socorro hoje"
  • Valdelice Veron: "É uma vida de crueldade que temos passado" (sobre dificuldades geradas pela demora no processo demarcatório)
     
  • Veja a cobertura completa no Twitter
O documentário "Índio Cidadão?" tem estréia prevista para 19 de abril, às 14h, na TV Câmara. Também estão previstas exibições gratuitas gratuitas na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e na semana do Acampamento Terra Livre (também conhecido como Abril Indígena), em Brasília.

Secretaria de Comunicação Social
Procuradoria Geral da República
(61) 3105-6404/6408

domingo, 9 de março de 2014

Fen’Nó: somos a raiz da esperança



Não conheci dona Ana da Luz Fortes do Nascimento (Fen’Nó), essa guerreira da nação Kaingang, mas seu pensamento me vestiu de coragem pra enfrentar também os desafios do meio acadêmico. 

Foi em março de 1999 que eu vi a reportagem de capa do Jornal Porantim dedicado a uma anciã kaingang; uma homenagem pelo dia da mulher. Quando li as palavras de  Fen’Nó, no Jornal Porantim,  intui que eu deveria – a partir de então – compartilhar o seu pensamento com os meus alunos e com todos interessados pela nossa cultura. 

Aprendi com Fen’Nó que nós mulheres indígenas “somos fecundas. (...) Somos a multiplicação  das lutas como a terra multiplica o cereal plantado. Somos a raiz da esperança”. Hoje, tomei conhecimento que Fen’Nó habita agora entre as estrelas. Tenho certeza que Fen’Nó está bem pertinho de Ñanderu, intercedendo por todos nós e multiplicando a nossa esperança de um mundo melhor.

No meu livro “Contrapontos da literatura indígena contemporânea..”, dedico o cap.3 à poesia escrita por mulheres indígenas e é justamente nesse capitulo que o pensamento de Fen’Nó me guia para relatar um pouco da nossa cultura indígena.
A luta continua, Fen’Nó.. 
Que Ñanderu nos acolha, 

Nordeste do Brasil, Graça Graúna

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Literatura: diversidade étnica e outras questões indígenas


Amigos(as):

Agrada-me informar  a publicação do meu artigo "Literatura: Diversidade Étnica e outras Questões Indígenas" na Revista Todas as Musas. Em tempo, tomo a liberdade de compartilhar o Editoral do n. 2, referente a jan/jun de 2014:

Editorial 
“Cultiva a Tua Diferença” 
Vergílio Ferreira 

A nossa revista chega ao seu décimo volume trazendo corajosamente um dos temas mais importantes, e controversos, das relações sociais contemporâneas. Um assunto tão premente não poderia passar despercebido por artistas e escritores e, da mesma forma, não poderia deixar de ser discutido pelos nossos professores e pesquisadores. O dossiê desta edição tratará da Diversidade étnica, psicobiológica e de gênero na literatura e nas artes, por meio de trabalhos de pesquisadores com muita experiência no assunto. Em especial, os editores querem agradecer aos professores Jorge Caê Rodrigues, Carlos Henrique Bento, Jose Adriano da Silva Alves e Graça GraúnaEm nossa seção de artigos, os diálogos entre as artes, marca de nascença da revista, estão presentes em diversos trabalhos. Temos ainda um leque amplo para a leitura que vai desde a polêmica figura de Gregório de Matos até a poesia no ciberespaço, passando por Maupassant, Graciliano Ramos e pela recente best-seller americana, Kathryn Stockett. A seção de resenhas traz dicas excelentes para a leitura de professores e de interessados pela literatura de Paulo Mendes Campos e pelo sempre presente Mikhail Bakhtin. Mais uma vez, a revista se mantém aberta para debates e questionamentos por meio de seu endereço eletrônico. A todos, uma boa leitura. Os editores. 





A revista traz muitas leituras importantes acerca de diversidade e cultura. Espero que compartilhem a leitura e expressem também opiniões. Obrigada, muito obrigada mesmo pela atenção.
Saudações literárias,
Graça Graúna

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Aldeia Maracanã: em defesa do patrimônio histórico e imaterial indígena

Imagem:http://amarcbrasil.org/tag/aldeia-maracana

Na Aldeia Maracanã, a copa da violência

Autoria: Camila Nobrega e Rogério Daflon (Canal Ibase)

A violência da Polícia Militar contra indígenas da Aldeia Maracanã se intensificou desde o último domingo (15/11). Os indígenas e manifestantes que os apoiam alegam que o governo do Estado do Rio e o consórcio da obra do Maracanã não podem derrubar as casas do entorno do Museu do Índio, porque elas integram o complexo do museu em mais de 14 mil metros quadrados. E, por isso, resolveram resistir. Até o momento, o índio José Guajajara permanece numa árvore. A cena já virou símbolo da luta indígena. Kemakwin Xukurú Itápewa, um dos índios que foi preso ontem, contou que a tropa de choque chegou ao museu às 19h28 de domingo, exigindo que todos saíssem, sob alegação de que ali seria feita uma reforma. Como os índios e ativistas não saíram, houve, diz Itápewa, agressões. Em março, os índios que ocupavam o local foram retirados com truculência, gás lacrimogêneo. E nos últimos dias, resolveram voltar lá.
- Eles queriam derrubar as casas ao lado que pertencem ao museu. Como perceberam que resistiríamos, resolveram avançar sobre nós. Um parente meu tupinambá recebeu um soco no estomago, e duas ativistas também foram agredidas. Uma ativista grávida estava conosco. Os policais também nos agrediram verbalmente, com xingamentos e ironias. Pelo Estatuto do Índio, eles não podem nos encostar. Agiam como se não soubessem disso. E me deram uma gravata – diz Itápewa, acrescentando que ontem todos foram levados para a 18ª DP (Praça da bandeira).
Apenas a Polícia Federal pode deter indígenas. A midiativista Joana Carvalho, que acompanhou a ação no local, contou que um negociador foi içado por uma escada do Corpo de Bombeiros para falar com José Guajajara. Ele está desde ontem sem comer, só recebeu um pouco de água.
- Há cerca de 300 manifestantes fazendo barulho, em apoio a Guajajara. Houve muita truculência na retirada dos outros indígenas e ele está resistindo muito – disse Joana.
O governo do Estado alega, como diz o site G1, que o espaço foi adquirido do Ministério da Agricultura e será incorporado ao Complexo do Maracanã.
A área é reivindicada na Justiça desde outubro de 2012 pelo movimento indígena. A entrada no espaço foi iniciada neste domingo, por volta das 17h de forma pacífica. Conforme o Grupo de Trabalho que dá suporte jurídico e discute a questão fundiária do território reivindicado como reserva indígena, a ocupação ocorreu como forma de defesa do patrimônio histórico e imaterial nacional e indígena, contra a destruição, em curso, das edificações presentes no espaço. As lideranças do movimento afirmam que o governo do Estado não está cumprindo com os compromissos. O contrato de gestão privada do Complexo do Maracanã ainda não foi desfeito nem mesmo revisto.  Ao menos o Museu do Índio foi tombado este ano pela prefeitura após muita luta.
Como sempre, a falta de diálogo imperou. A Polícia Militar impediu que comida e mantimentos chegasse ao índio na árvore. A imagem é uma metáfora do Brasil, país que tem entre os índios o grupo mais vulnerável à fome, segundo o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea). A perda dos territórios em função de megaempreendimentos em todo o país está retirando milhares de indígenas de suas terras.


sábado, 14 de dezembro de 2013

MEC: portaria regulamenta ação em torno dos saberes indígenas

Educação indígena. Imagem extraída do Google.



Texto: Mariana Tokarnia

Repórter da Agência Brasil

Brasília – Professores que trabalham na educação indígena receberão formação específica voltada para a alfabetização em português e em línguas indígenas. As aulas serão para aqueles que dão aulas nas séries iniciais da educação básica. O curso terá carga horária anual de 180 horas, em aulas presenciais. Como incentivo, os professores receberão bolsa mensal de R$ 200.

A ação Saberes Indígenas na Escola faz parte do Programa Nacional dos Territórios Etnoeducacionais Indígenas, criado pelo governo no final de outubro e, segundo o Ministério da Educação (MEC), já em execução. O ministério publicou hoje (9) no Diário oficial da União a portaria que regulamenta a ação.
O curso de aperfeiçoamento tem foco no letramento, que é o resultado da ação de ensinar a ler e escrever. Os professores terão cursos de letramento e numeramento (aquisição das competências matemáticas) em idiomas indígenas e em português, como primeira e segunda línguas, além de conhecimentos e artes verbais indígenas. A ação envolve a participação de instituições de ensino superior, que serão as responsáveis pela formação. Os coordenadores e formadores devem ter experiência na formação e no ensino indígena. Eles também receberão bolsas de R$ 765 a R$ 1,4 mil.

Além das bolsas, os professores receberão material didático e pedagógico. Entre os objetivos do programa está oferecer subsídios à elaboração de currículos, definição de metodologias e processos de avaliação que atendam às especificidades dos processos de letramento, numeramento e conhecimentos dos povos indígenas. Assim como fomentar pesquisas que resultem na elaboração de material didático e paradidático em diversas linguagens, bilíngues e monolíngues, conforme a situação sociolinguística e de acordo com as especificidades da educação escolar indígena.

Segundo o MEC, inicialmente, a ação conta com a participação de 17 estados e 23 instituições de ensino superior. Serão contemplados 87 povos e 1.280 aldeias. Serão trabalhadas 57 línguas indígenas. De acordo com o ministério, a ampliação da Saberes Indígenas será conforme a demanda e a adesão das instituições formadoras, dos povos indígenas e das secretarias de Educação.

O Censo de 2010 mostra que quase 0,5% da população brasileira é indígena. São 896,9 mil de 305 etnias. Eles são responsáveis por 274 idiomas falados em território nacional. Segundo dados do Portal Brasil, são 105,7 mil alunos indígenas matriculados em turmas do primeiro ao quinto anos, o que representa 51,7% dos que estudam.

Programa Nacional dos Territórios Etnoeducacionais visa a ampliar e qualificar as formas de acesso dos índios à educação básica e superior. O MEC planeja contratar a ampliação, reforma ou a construção de ao menos 120 escolas indígenas até o final do ano que vem.

Edição: Nádia Franco
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Fonte:  http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-12-09/professores-terao-formacao-especifica-para-trabalhar-na-educacao-indigena