quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Representantes das comunidades Ye'kuana realizam intercâmbio com povos do Alto Rio Negro


 Imagem: ISA. Os Ye'kuana são recebidos na maloca pelos Tuyka

Três Ye`kuana da região de Auaris, em Roraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela passaram por Manaus, São Gabriel da Cachoeira e chegaram no Alto Rio Tiquié, na Terra Indígena Alto Rio Negro, noroeste amazônico. Ao longo do trajeto foram trocadas muitas experiências especialmente na área de educação, onde participaram das formaturas de ensino médio das escolas Tuyuka e Tukano Yupuri.
A viagem ao Alto Rio Negro, entre 3 e 22 de novembro, foi uma grande oportunidade para que David Albertino, liderança da comunidade Fuduwaaduinha, Castro Costa, presidente da Associação do Povo Ye`kuana do Brasil (Apyb) e Felipe Albertino, professor da comunidade Waichainha pudessem conhecer experiências inovadoras e transmití-las na volta às suas comunidades. A associação que eles integram passa por uma fase de consolidação e reformulação de projetos políticos e pedagógicos e o intercâmbio trouxe novos conhecimentos especialmente em relação à experiência dos tuyuka e tukano no ensino médio. Foram acompanhados pelo assessor do Programa Rio Negro, do ISA, Vicente Coelho.
Depois de passar por Manaus e São Gabriel da Cachoeira, a equipe entrou na Terra Indígena Alto Rio Negro, subindo o Rio Uaupés e em seguida o Rio Tiquié para participar das formaturas de ensino médio das escolas Tukano e Tuyuka, ambas assessoradas pelo ISA. A participação vem de encontro às atuais reflexões dos Ye’kuana sobre a necessidade de desenvolver o ensino médio Ye`kuana em sua própria terra, já que .ao longo dos últimos anos houve grande fluxo de jovens para Boa Vista/RR para cursar o ensino médio. Na avaliação que as lideranças Ye`kuana fizeram durante a 2a Assembleia da Apyb, este processo vem causando um expressivo esvaziamento das aldeias e prejudicando a transmissão dos conhecimentos tradicionais.

Chegando inicialmente à comunidade Tuyuka São Pedro, a equipe pôde conhecer os trabalhos da Escola Utapinopona e acompanhar a formatura de sua segunda turma de ensino médio - a primeira turma que fez todo o ensino médio, do começo ao fim, na mesma escola. 

Escola Tuyuka é referência de educação escolar indígena diferenciada
Com mais de uma década de existência, a Escola Tuyuka é conhecida como uma importante referência da educação escolar indígena diferenciada. Localizada numa região que foi fortemente influenciada pela atuação salesiana – que desestruturou todas as bases da identidade indígena – a Escola Utapinopona vem levando adiante um projeto pedagógico que busca valorizar os conhecimentos tradicionais através de um constante diálogo intercultural.


Desta forma, antigas tradições que estavam se perdendo vêm sendo retomadas e reforçadas, assim como novos conhecimentos estão sendo produzidos a partir das demandas colocadas pelas comunidades. Neste sentido, um importante marco do projeto da Escola Tuyuka foi a criação do ensino médio, que diminuiu significativamente o fluxo de jovens que saiam das comunidades para dar prosseguimento a seus estudos na cidade de São Gabriel da Cachoeira.

Uma semana depois, os Ye’kuana desceram para a comunidade Tukano São José II, onde assistiram à primeira formatura de ensino médio da Escola Yupuri. Assim como na Escola Tuyuka, professores e estudantes da Escola Yupuri vêm desenvolvendo pesquisas que fortalecem a cultura e a autoestima indígena, ao mesmo tempo criando novas bases para se pensar o futuro dos povos indígenas do Alto Rio Negro.
De acordo com o professor Higino Tenório, articulador e um dos idealizadores da Escola Tuyuka, apesar de todas as conquistas alcançadas no plano dos direitos indígenas, o pensamento predominante na sociedade brasileira continua sendo colonial e, por isso, a produção de conhecimentos se torna uma questão decisiva nos processos de luta dos povos indígenas. 

Geração de renda e representatividade política
Durante a passagem por Manaus os Ye`kuana fizeram uma reunião com a diretoria da GaleriAmazônica, loja que comercializa artesanatos em parceria com as associações indígenas. A proposta da loja é a realização de um comercio justo com o mínimo de atravessadores que separam as comunidades dos compradores. Os Ye`kuana se interessaram pela proposta e combinaram reunir-se com as comunidades para discutir o assunto. Se os artesãos e artesãs confirmarem interesse será produzido um catálogo de seus artesanatos para a loja.
Ainda sobre a comercialização de artesanatos, em São Gabriel da Cachoeira os Ye’kuana visitaram a Wariró, loja criada e mantida pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – Foirn. Assim como a GaleriaAmazônica, a Wariró também comercializa artesanatos indígenas com o objetivo de gerar renda para as comunidades.
Para os Ye`kuana, que já vêm comercializando seus artesanatos de forma informal, a perspectiva de organizar sua produção e buscar novos mercados é uma oportunidade de não só de garantir preços mais justos, como de fortalecer o papel de sua associação enquanto organização representativa.
Também em São Gabriel da Cachoeira, os Ye`kuana visitaram a sede da Foirn. Maximiliano Correa Menezes, um de seus diretores, apresentou o trabalho da organização, sua estrutura e funcionamento. Sendo uma das principais organizações indígenas do Brasil, a experiência da Foirn apresentada por Maximiliano, foi mais uma motivação para os Ye’kuana prosseguirem na busca por representatividade política. Neste encontro foram também debatidas as trajetórias dos povos do Alto Rio Negro e dos Ye`kuana, que têm em comum o longo histórico de contato e opressão por parte das sociedades envolventes, assim como a constante luta pela preservação de sua autonomia e seus conhecimentos tradicionais.
Por todos esses motivos a vivência dos Ye`kuana junto aos povos Indígenas do Rio Negro e na cidade de Manaus foi extremamente enriquecedora. Ao longo da viagem, Castro, David e Felipe, trocaram experiências, ouviram dificuldades e sugestões que muito contribuirão para os processos de fortalecimento político e restruturação de sua educação escolar. Assim, os Ye`kuana retornam para Roraima levando preciosas referências para continuarem sua luta por autonomia.

Fonte: ISA, Vicente Coelho.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Saber dos xamãs jaguares do Yuruparí é nomeado patrimônio imaterial


Imagem extraída do Google: flickr.com/ Chamanes jaguares del Yuruparí de Colombia.


O saber tradicional dos xamãs jaguares do Yuruparí, na Amazônia colombiana, entrou neste domingo para a Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco.
O comitê de analistas da Unesco aprovou sua inclusão durante reunião em Bali, na Indonésia, ao considerar que este modo de vida, herança milenar dos ancestrais, é um sistema integral de conhecimento com características físicas e espirituais.
"Esta notícia é um enorme esperança para a comunidade que tem plena certeza de que esta decisão é um instrumento de salvaguarda desta sabedoria", disse o diretor de Patrimônio da Colômbia, Juan Luis Isaza, em seu discurso de agradecimento.
Os xamãs do Yuruparí transmitem "uma cosmovisão associada a um território sagrado para eles, um conhecimento graças ao qual acham que o mundo pode estar em equilíbrio", explicou Isaza.
Os jaguares de Yuruparí, que habitam nas cercanias do rio Pirá Paraná, transmitem por via masculina e desde o nascimento o Hee Yaia Keti Oka, uma sabedoria que foi entregue a eles desde suas origens pelos Ayowa (criadores) para cuidar do território e da vida.
O diretor de Patrimônio da Colômbia detalhou que esta cultura está ameaçada pela perda de interesse dos mais jovens e a interação com a "arrasadora cultura ocidental".
A designação também ajudará, segundo Isaza, a combater os perigos que espreitam este povo que viveu sempre isolado do "contato com colonos, madeireiros, mineiros e políticos que, segundo os xamãs, vulneram o território e o equilíbrio".
"O reconhecimento da Unesco serve para proteger e resgatar não só seu pensamento, também seu território, porque estão profundamente relacionados", assegurou Isaza.

Aconteceu na Flimt II

 Graça Graúna. Acervo da Biblioteca de São Paulo (BSB) e Instituto Ecofuturo


Sexta, 25 de novembro de 2011, 12h01
FLIMT - Palestras ressaltam questão indígena sob diferentes aspectos
NAINE TERENA - Assessoria/Flimt

          Com um grande público as palestras realizadas durante a Feira do Livro indígena de Mato Grosso tem levantado temas que há muito tempo envolve a sobrevivência dos povos indígenas no país. Questões como o a relação com a FUNAI, empreendimentos em terras indígenas, o ensino da Cultura nas escolas, hidrelétricas, entre outros tem suscitado longos debates durante o evento.
          Foi assim no primeiro dia, onde Daniel Munduruku e Graça Graúna falaram da literatura indígena e Marcos Terena e Estevão Taukane sobre os empreendimentos em terras indígenas. Na manhã desta sexta-feira, 25 de novembro, Ana Maria Ribeiro e Rosi Waikon destacaram a Lei 11.645/08, que obriga as instituições de ensino a trabalharem a arte e cultura indígena nas escolas publicas e privadas do país.
          Para a Professora Ana Maria Ribeiro, a questão a ser tratada não é a Lei em si, mas a aceitação do indígena na sociedade brasileira. Ana Maria é professora Universitária e questiona a reprodução do discurso acerca dos povos indígenas no cotidiano. Já Rosi Waikhon, é indígena do Povo Piratapuia do Amazonas e cursa mestrado na UFAM. Rosi relata um pouco sobre o desconhecimento da realidade indígena dentro da Universidade e daí a importância da Lei na formação dos educadores e estudantes. “Percebo que a Universidade não está preparada para lidar com o estudante indígena. Aspectos do nosso cotidiano, da nossa história, acabam sempre entrando em conflito com este outro mundo”, explica ela.
          No período da tarde Darlene Taukane, do povo Bakairi de Mato Grosso, fala sobre a FUNAI e os povos indígenas. Para Darlene existiu uma generalização dos povos indígenas, o que transformou todos em ‘índios’. Darlene explica que existem diferentes contextos de contato e isso deve ser observado e levado em conta, quando se trata da Tutela. “Eu quero chegar um dia, em que meu povo não precise do Governo para sobreviver”, finaliza ela.
          O dia encerra com o bate-papo realizado pela escritora Maria Inez do Espírito Santo, que veio do Rio de Janeiro para falar da mitologia indígena. Maria Inez fará o bate papo baseado em sua obra Vasos Sagrados, utilizando a mitologia indígena para trabalhar a formação de valores e mostrar a sociedade brasileira, que não precisamos buscar fora do país valores culturais para trabalhar nossa auto estima.

Flimt II - Carta das mulheres indígenas à Presidente Dilma Rousseff

Feira do Livro Indígena de Mato Grosso tem a presença da maior autoridade Indígena no Brasil - Cacique Raoni

NAINE TERENA - Assessoria/Flimt

Edson Rodrigues/Flimt
Cacique Raoni visita a Feira do Livro Indigena em Cuiabá
          O Encerramento da segunda edição da Feira do Livro indígena de Mato Grosso deixou para os participantes um pedido de ajuda realizado nada pelo Cacique Raoni, maior autoridade indígena do pais. O Cacique Raoni, 85 anos, do povo Caiapó, falou sobre vários assuntos para um publico que lotou o Salão Nobre do Palácio da Instrução em Cuiabá. Sobre a FLIMT, Raoni comentou que gostou muito de participar de Feira do Livro Indígena. "E bom ver que nosso povo esta se formando em escritores, doutores, advogados, divulgando a nossa cultura. Quero que eles estejam sempre juntos, sempre valorizando nossa tradição."
          Para os indígenas presentes Raoni fez um apelo: que utilizem sua formação acadêmica e intelectual em prol da causa indígena, na luta contra as desigualdades, contra o desmatamento e principalmente na militância contra a construção da usina Belo Monte. Ao publico não indígena o recado foi direcionado ao futuro do pais e do mundo, ressaltando o impacto de grandes obras em áreas como as florestas e rios. Ao final da Palestra, as mulheres indígenas presente escreveram 'A carta das mulheres indígenas' a presidente Dilma Rousseff, na qual citam que as Mulheres Indígenas, (avós, mães, escritoras, artesãs, acadêmicas, trabalhadoras, advogadas, educadoras, guerreiras) participantes da FLIMT - Feira do Livro Indígena de Mato Grosso junto ao NEARIN - Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas, onde sensibilizadas com as palavras do grande Cacique Raoni, fazem um pedido para que a presidente pare com as Obras de Belo Monte. A Carta foi assinada também por mulheres não indígenas e deve ser entregue a Presidente apos recolher mais assinaturas.
*******

CARTA DAS MULHERES INDÍGENAS À  PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF

          Nós, Mulheres Indígenas, (avós, mães, escritoras, artesãs, acadêmicas, trabalhadoras, advogadas, educadoras, guerreiras) participantes da FLIMT - Feira do Livro  Indígena de Mato Grosso junto ao NEARIN - Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas, sensibilizadas com as palavras do grande Cacique Raoni, proferidas na FLIMT,  reiteramos:  “O Governo já tomou as nossas riquezas e devemos defender o que sobrou para nós”.
          Estamos nos aliando e ampliando as nossas lutas em prol de nossas sobrevivências com a nossa liderança maior, na defesa dos nossos direitos garantidos na Constituição Brasileira. A nossa união se faz necessária porque nós, mulheres indígenas, estamos sentindo as conseqüências da redução dos nossos territórios, nas aldeias já existem a escassez de alimentos o que nos preocupa muito porque os alimentos são essenciais para a vida humana. Nos momentos atuais e em tempos modernos, sentimos que nós, os povos indígenas não somos respeitados em nossos direitos vitais. Vemos a devastação da biodiversidade, das fontes das águas, os cerrados sendo exterminados, dando lugar ao agronegócio. Com isso, as nossas riquezas, fontes de alimentos estão desaparecendo, assim como as florestas estão sendo desmatadas em nome do progresso. Esse é o progresso sustentável? Esse modelo é empobrecedor. É assim que nós vemos. Os nossos direitos estão sendo violados, sobretudo nos últimos oito anos.
          Portanto, Presidente Dilma, nossa intenção é - por meio desta carta - defender as nossas vidas e o nosso bem viver. Pedimos isso à Senhora que também é mãe, avó e filha da Terra; que lutou pela Liberdade e é um exemplo para não silenciarmos a nossa voz. Por isso, estamos aqui, fazendo um apelo a Vossa Excelência para que nos ouça e atenda a liderança indígena maior do país.
Cuiabá, 26 de novembro de 2011
Assinamos,


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cacique Raoni vai participar da Feira do Livro Indígena em Cuiabá

  Fonte: G1 MT

 
Escritores e artistas indígenas e não indígenas vão participar, a partir do dia 23 de novembro, da Feira do Livro Indígena, em Cuiabá, que faz parte do Circuito de Feiras da Biblioteca Nacional. O cacique Raoni será um dos convidados do evento no dia 26, quando deverá participar de uma palestra no Palácio da Instrução, no centro da capital.
Exposições, palestras e debates fazem parte da programação do evento. No dia 24, a partir das 9h, haverá uma reunião sobre o Plano Estadual do Livro e da Leitura de Mato Grosso (PELL/MT), para debater o fomento à leitura em Mato Grosso.
No dia 26, às 9h, o cacique Raoni participa da Feira do Livro Indígena para falar sobre os povos do Xingu. No período da tarde, iniciam as atividades como bate-papo e debates. A partir das 17h, o Instituto Inca realizará a Mostra Audiovisual “Olhares sobre os Povos da Mata” e, às 19h30, a atração será a ‘Festa no pátio’, um momento destinado à música e literatura.
Além disso, o público poderá prestigiar a Livraria da Feira do Livro Indígena, na qual as editoras irão comercializar as obras. O público poderá visitar exposições de artefatos indígenas e fotos, além de conhecer um pouco mais do Palácio da Instrução, que faz parte do patrimônio histórico do estado.

ISA lança nova edição do livro Povos Indígenas no Brasil do período 2006-2010




Referência sobre a questão indígena, a publicação Povos Indígenas no Brasil faz um resumo do dos principais acontecimentos, entre avanços e retrocessos, no período 2006-2010. A obra apresenta um conjunto de informações que incluem artigos, notícias, fotos e mapas. Será lançado nesta segunda-feira, 21 de novembro, em São Paulo, 22 em Brasília, 25 no Rio e 30 em Manaus. Confira!
A série iniciada em 1980 chega ao décimo-primeiro volume trazendo na capa o líder kayapó Raoni Metuktire, contundente em suas críticas contra a usina hidrelétrica de Belo Monte, na Volta Grande do Rio Xingu, no Pará. Desde os anos 1980, Raoni ergue sua voz contra o projeto que tornou-se obra símbolo do Programa de Aceleração do crescimento (PAC) no governo Lula e prossegue no governo Dilma Rousseff. Mesmo modificado em relação ao projeto original, os povos indígenas das áreas afetadas por Belo Monte não foram ouvidos conforme prevê a Convenção 169 da OIT. Embora os Kayapó não sejam diretamente afetados pela barragem, a suspeita é que para garantir sua viabilidade econômica, outras usinas venham em seguida, alcançando então a área Kayapó.
Esta edição de Povos Indígenas no Brasil 2006-2010 resume a situação indígena no período por meio 165 artigos assinados, 810 notícias extraídas e resumidas a partir de 175 fontes, 228 fotos e 33 mapas. Inclui pela primeira vez um caderno especial de 32 páginas com imagens de destaques.
As informações estão organizadas em seis capítulos temáticos e 19 regionais, totalizando 778 páginas que dão uma visão geral sobre 235 povos indígenas que vivem no Brasil e falam cerca de 180 línguas. Destes, 49 habitam também o outro lado da fronteira, em países que fazem limite com o Brasil. Confira aqui o sumário da publicação.


Destaques do período
O polêmico caso da homologação da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, em Roraima, cujo julgamento final ocorreu em 2009, no STF, reafirmou a demarcação em área contínua e determinou a retirada de ocupantes não índios, mas estabeleceu 19 condicionantes. A esta vitória do movimento indígena-indigenista, somaram-se outras como a criação de Grupos de Trabalho pela Funai para estudar a situação de Terras Indígenas fora da Amazônia; a homologação da TI Trombetas-Mapuera com quase quatro milhões de hectares, localizada ao sul de Roraima e nordeste do Amazonas; a homologação da TI Tupiniquim, no Espírito Santo, que reuniu as TIs Pau Brasil e Caieiras Velhas, com pouco mais de 14 mil hectares e o início da desintrusão da TI Apyterewa, no Pará, homologada em 2007, mas ocupada por 1 200 famílias de invasores. Em contrapartida, aumentaram as ações anti-indígenas no Legislativo e no Judiciário.
A criação da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), em 2006, contribuiu para o debate de políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Até 2010, a CNPI reuniu-se 17 vezes, incluindo a participação do Presidente Lula por duas vezes. A Funai, por sua vez, iniciou em 2008 um processo de reestruturação, abrindo espaço para concurso público – o que não acontecia havia algumas décadas - e para contratação de mais de 400 novos funcionários.
Outra reivindicação do movimento indígena, diante da precarização do sistema de atendimento à saúde indígena, foi a criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em substituição à Funasa. Finalmente criada em 2010, sua implementação ainda é precária.


Ações descoordenadas
Apesar das conquistas, as ações do governo em relação aos povos indígenas são contraditórias e descoordenadas. O caso dos Enawenê-nawê, que habitam a Bacia do Rio Juruena, no noroeste do Mato Grosso, ilustra bem essa descoordenação. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou o processo de patrimonialização no Livro das Celebrações de um ritual centrado em uma grande pescaria com barragens artesanais. Ao mesmo tempo cinco pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) foram autorizadas pelo Ministério das Minas e Energia para funcionar a montante da aldeia Enawenê-nawê. Resultado: as obras já causaram distúrbios no fluxo do rio e nos últimos anos os peixes não apareceram obrigando a Funai a comprar toneladas de peixes de criatório para a realização do ritual.
A população indígena também cresceu no período. No Censo de 2010, o IBGE incluiu uma novidade: quando o entrevistado se autoidentificava como índio, no quesito cor da pele, o recenseador perguntava sobre etnia e língua. Por enquanto, dados preliminares dão conta de que existem 817 963 mil índios no país, e destes, 315 mil estão em áreas urbanas. Em dez anos, houve um aumento de quase 84 mil índios no Brasil.


50 anos do Parque Indígena do Xingu
Na contracapa, o destaque fica para os 50 anos do Parque Indígena do Xingu, que celebrou a data com o festival de culturas xinguanas, na aldeia Ipavu do povo Kamaiurá, incluindo debates e reflexões sobre o futuro. Além do Parque, a Cinemateca em São Paulo, exibiu mostra cinematográfica e uma exposição fotográfica sobre os 50 anos, com rodas de conversas reunindo lideranças indígenas, pesquisadores, antropólogos, médicos e profissionais que atuam no Xingu, que debateram sobre como será o Parque em 2061, com destaque para as jovens lideranças. Confira abaixo quando e onde serão os lançamentos.

Serviço
São Paulo
21 de novembro, segunda-feira, 19h/22h
Sala Crisantempo
Rua Fidalga, 521
Vila Madalena

Brasília
22 de novembro, terça-feira, 19h
Restaurante Carpe Diem
SCLS 104

Rio de Janeiro
25 de novembro, sexta-feira, às 19h30
Museu do Índio
Rua das Palmeiras, 55
Botafogo
(Haverá uma roda de conversa com a participação de Bruna Franchetto (linguista do Museu Nacional), Eduardo Viveiros de Castro (antropólogo MN), Jose Ribamar Bessa Freite (jornalista e historiador, coordenador do Programa de Estudos dos Povos Indigenas da UERJ), José Carlos Levinho (antropólogo e diretor do Museu do Indio) e Beto Ricardo (antropólogo do ISA e um dos editores da publicação).

Manaus
30 de novembro, quarta-feira, às 18h30
GaleriaAmazônica
Rua Costa Azevedo, 272 – térreo
Largo do Teatro
Centro

Fonte: ISA, Instituto Socioambiental.

Frente divulga pesquisa de opinião sobre questões indígenas


Imagem extraída do Google

A Frente Parlamentar de Apoio aos Povos Indígenas divulga hoje o resultado da pesquisa “Índios do Brasil: Demanda dos Povos Indígenas e Percepções da Opinião Pública”, realizada pelas fundações Perceu Abramo e Rosa Luxemburg (Alemanha).
A pesquisa entrevistou 2.600 pessoas em todo o País. De acordo com o levantamento, a maioria dos brasileiros tem uma visão idealizada sobre os povos indígenas. A população não conhece a realidade dos povos indígenas, seus principais problemas e conflitos, os direitos desses povos ou as ameaças às terras que lhes pertencem.
Segundo o resultado, 88% dos entrevistados não souberam responder quantos povos indígenas existem no Brasil (mais de 250 povos). Além disso, 63% respondeu que  a população indígena diminuiu nas últimas décadas, quando na verdade aumentou. Foram convidados para o lançamento:
- a vice-coordenadora da Frente Parlamentar de Apoio aos Povos Indígenas, deputada Dalva Figueiredo (PT-AP); 
- o presidente da Fundação Perseu Abramo, Nilmário Miranda; 
- o coordenador da pesquisa, Gustavo Venturi; 
- o representante do Inesc, Ricardo Verdum; e
- um representante da Funai.

Relançamento
Na solenidade também ocorrerá o relançamento da frente parlamentar, que agora passará a ser coordenada pelo deputado Padre Ton (PT-RO). Na ocasião, uma liderança indígena fará a entrega simbólica da proposta de Estatuto dos Povos Indígenas ao grupo.
De acordo com Ton, aprovar o estatuto, que aguarda votação no Congresso já há mais de 20 anos, será o grande desafio da frente.
Atualmente, tramita na Câmara uma proposta de Estatuto das Sociedades Indígenas (Projeto de Lei 2057/91), mas sua tramitação está paralisada desde 1994, quando foi aprovado por uma comissão especial.


Valverde
Padre Ton promete também continuar o trabalho do ex-deputado Eduardo Valverde, falecido no início deste ano. Do mesmo partido e estado, Valverde presidiu a frente e foi relator da comissão especial que trata da exploração de recursos em terras indígenas.
O lançamento será realizado às 14 horas, no Salão Nobre da Câmara.

Íntegra da proposta: PL-2057/1991

    Fonte:
    Redação/ JMP

    sexta-feira, 18 de novembro de 2011

    URGENTE: três indígenas mortos a tiros em ocupação de terra em MS


     Imagem extraída do Google

    Ao menos três indígenas kaiowá foram mortos por pistoleiros, agora pela manhã, a tiros de grosso calibre, no lugar conhecido pelos indígenas como Ochokue/ Guaiviry, nas proximidades da vila de Tagi, à beira da MS-386, entre Ponta Porã e Amambai. As informações, preliminares, foram passadas agora há pouco pela coordenação do movimento político guarani-kaiowá, Aty Guasu.
    No momento, estão sendo acionados o Ministério Público Federal, a Polícia Federal de Ponta Porã e a Funai. Segundo as informações, os corpos foram carregados numa caminhonete, e teme-se que sejam levados ao Paraguai. A fronteira está a meia hora do local.
    Os mortos seriam um homem, uma mulher e uma criança de cinco anos.
    O movimento Aty Guasu tinha realizado na quarta-feira um ato de solidariedade ao grupo de Guaiviry. Depois da visita ao local, o ônibus dos indígenas foi retido por fazendeiros armados, sendo liberado após várias horas de negociação com os indígenas.
    A área de Guaiviry é uma das que foi incluída nos processos de identificação de terras indígenas iniciados em MS pela Funai em 2008, e o relatório está em fase de conclusão. Os indígenas ocuparam a área onde aconteceu o conflito há cerca de 15 dias e já vinham recebendo visitas da Funai e da Polícia Federal. Ainda assim, como vem acontecendo em outras áreas em conflito, isso não tem sido suficiente para coibir as agressões realizadas por homens armados a serviço dos fazendeiros da região.


    Mais informações:

    Funai de Ponta Porã ou Dourados – 67 - 3424-5236/ 9684-7470/ 9643-8640
    Ministério Público Federal de Ponta Porã/Dourados - (67) 3411.1700 / 67-9971-1206
    Conselho Indigenista Missionário de Dourados – 67-3424-9410
    Conselho Aty Guasu - 67-9991-4682
    Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul
    (67) 3312-7265 / 9297-1903
    (67) 3312-7283 / 9142-3976

    quinta-feira, 17 de novembro de 2011

    São Paulo: bairro do Morumbi tem o maior índice de indígenas


    Indios Pankararu. 
    Foto: Marília Pedroso, em: http://www.ehsaopaulo.com.br/2011/08/05/programa-de-indio/

    Segundo dados do Censo 2010 em São Paulo, o Morumbi registra o maior índice de população indígena da cidade: são 403 índios ou descendentes declarados, cerca de  0,9% da população dessa região. Em números absolutos, o lugar com mais índios na cidade é o distrito de Parelheiros, no extremo sul, com 1.002 indígenas (0,8% do total da população), principalmente da etnia Guarani. O Morumbi retrata uma situação peculiar. É nessa região que fica a favela Real Parque, onde os índios Pankararu fincaram residência em meados da década de 1950, vindos do sertão de Pernambuco - OESP, 17/11, Nacional, p.A14.

    quarta-feira, 16 de novembro de 2011

    Kaiabi denunciam quebra de acordo do governo federal



     
    Guerreiras kaibi em defesa do território indígena 
    Foto: Simone F. de Athaide (ISA)
    Para espanto dos Kaiabi, Apiaká, Munduruku e Kayapó, a audiência pública sobre a hidrelétrica no Rio Teles Pires que havia sido adiada, foi novamente marcada para o próximo dia 25 de novembro. De acordo com a carta que as lideranças indígenas divulgaram, não era esse o combinado com o governo federal, que recebeu lideranças indígenas no dia 3 de novembro em audiência em Brasília