1993: Ano Internacional dos Povos Indígenas do Mundo

1995 / 2004: Primeira Década Internacional dos Povos Indígenas

2005 / 2014: Segunda Década Internacional dos Povos Indígenas

2019: Ano Internacional das Línguas Indígenas

2020: Ano Internacional da Saúde Vegetal


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Carta de Bertioga

Fórum Social Indígena – RIO+20

Fórum de  Bertioga. Imagem extraída do Google

CARTA DE BERTIOGA

Nós Povos Indígenas reunidos em Bertioga durante o Fórum Social Indígena – RIO+20, com base nos nossos conhecimentos tradicionais, nossa cultura e nossa espiritualidade declaramos:
Nunca devemos esquecer os espíritos de nossos antepassados e nosso Amor a Mãe Terra. Não devemos abandonar os ensinamentos  dos mais velhos e as formas tradicionais de ensinar e aprender.
No início do inverno durante o mês de Junho o mundo moderno vai se reunir no Brasil com apoio da ONU e do Governo Federal para discutir o futuro do Planeta Água. Eles dizem que o Desenvolvimento é a melhor estratégia para cuidar da Mãe Terra. Isso sempre foi falado e na verdade isso afetou, agrediu e matou muitas fontes de água, de biodiversidade e até os seres humanos. Por isso afirmamos que a sustentabilidade é muito simples. Basta respeitar e preservar a natureza porque ela é à força do nosso mundo. Se as grandes potências não sabem cuidar da Mãe Terra nós Povos Indígenas temos a obrigação e requeremos o direito de participar das grandes decisões que envolvem questões econômicas e politicas, pois as consequências por um mundo melhor passam pelos conhecimentos tradicionais dos Povos Indígenas.
A energia que é o sol do progresso do homem branco tem como válvula as hidrelétricas. Mesmo que alguém afirme que isso é limpo e renovável, nossos lideres espirituais avisam que ela interrompe a história, a cultura, a economia e a Identidade de muitos Povos.
As autoridades e os Poderes do Estado devem aprender a ouvir a voz dos Povos Indígenas. No caso do Brasil exigimos que o Congresso Nacional suspenda o Projeto que visa impedir a Demarcação de nossas Terras com o Plano Legislativo 215. O responsável principal pela divida histórica de demarcar as Terras é o Governo Federal, é o Poder Executivo. Solicitamos que na Rio+20 a demarcação de terras indígenas seja reconhecida como política Pública Estratégica de  conservação e uso sustentável de biodiversidade.
Observamos a quantidade de homens, mulheres e crianças no mundo do homem branco que não tem o direito sagrado de se alimentar e nem onde dormir. A Terra é o abrigo da verdadeira segurança alimentar. É preciso cultivar a agricultura natural usando o que já existe e assim matar a fome de muitos povos e famílias e não produzir a agricultura de uma cor só ou para mover os motores da modernidade em nome do progresso.
É preciso que o setor privado assuma um compromisso  concreto com o meio ambiente e a qualidade de vida do Povos Indígenas.
Nós acreditamos no potencial cultural, social, econômico e ambiental das nossas florestas, mas não aceitamos o conceito de economia verde que pretende vender o ar de nossas terras. Quem é o dono do ar? Quem tem o direito de comprar o ar? Quem tem o direito de vender?
Por tudo isso Nós Povos Indígenas reforçamos perante a ONU e o Governo do Brasil nosso direito de participar como protagonistas da conferencia Rio+20 não como peça folclórica, mas como Povos Indígenas soberanos e anfitriões na Aldeia KARI-OCA. Lá junto com o homem branco, o negro e comunidades locais, junto com o Meio Acadêmico e Científico, Mulheres, Jovens e Guerreiros queremos abrir o diálogo da Terra, o diálogo por um Mundo com qualidade de vida. Chamamos governos e Estados a se juntarem nesse compromisso coletivo determinando em seus compromissos políticos e econômicos metas claras e ações concretas para respeitar a natureza na busca de uma nova economia onde o bem comum seja o compromisso principal.
Nós, Povos Indígenas temos esse compromisso com a Mãe Terra também com o bem viver das futuras gerações.

Bertioga, litoral de São Paulo, 21 de Abril de 2012.

Assinam 250 Indígenas do Brasil com apoio de representações da sociedade civil, mulheres, jovens, negros, populações tradicionais, professores e estudantes, Nação Indígena Terena, Guarani, Manchineri, Tupinambá, Kisêdjiê, Kayapó, Xavante, Kalapalo, Karajá e Mamaindé, Kaingáng, Umutina, Apinajé, Pataxó, Yawalapiti, Xambioá, Maxacali, Kamayurá, Tikuna, Borun e Xerente.

sábado, 21 de abril de 2012

Literatura indígena e meio ambiente: rumo à Rio + 20


9º. ENCONTRO DOS ESCRITORES E ARTISTAS INDÍGENAS

Literatura indígena e meio ambiente: rumo à Rio + 20

          “Não somos donos da Teia da Vida”. Um debate sobre o papel da literatura indígena na formação da consciência ambiental na sociedade brasileira.  Presença de representantes de diferentes povos indígenas brasileiros: Desana, Guarani, Krenak, Macuxi, Maraguá, Munduruku, Piratapuia, Potiguara, Saterê-Mawé, Terena, Tukano, Umutina, Wapichana.
         A Literatura Indígena tem tido um importante papel na difusão do pensamento ancestral dos povos nativos apresentando à sociedade brasileira a intrínseca relação destas sociedades com o cuidado com seu meio ambiente. Através do livro e da literatura, a escrita indígena tem demonstrado que esta relação não é apenas de cunho filosófico, mas existencial apresentando, inclusive, alternativas possíveis para a sustentabilidade do planeta. Nesta edição, queremos trazer este olhar indígena sobre o meio ambiente, mostrando como a literatura escrita por autores indígenas pode auxiliar o Brasil e o mundo a interagir com o planeta que é nossa casa comum.

MANHÃ
 Ritual de abertura: Parte externa Mesa de abertura:
FNLIJ, IC&A, NEARIN, INBRAPI 

          Grupo UM – “Não somos donos da teia da vida, mas um de seus fios” [Alimentar o espírito ] Esta mesa tem como objetivo apresentar o pensamento indígena sobre o meio ambiente tendo como foco a relação espiritual que mantém com a natureza. Facilitadores: Ailton Krenak, Eliane Potiguara, Caime Waissé, Moura Tukano, Marcos Terena.

          Grupo DOIS – “O que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra”. [Alimentar o corpo] A mesa pretende mostrar como a literatura indígena pode ser um importante instrumento na conscientização da sociedade brasileira sobre seu papel na preservação do meio ambiente tendo como foco a arte indígena. Facilitadores: Ely Macuxi, Yaguare Yamã, Uziel Guayné, Jayder Macuxi e Álvaro Tukano.

          Grupo TRÊS – “A terra não pertence ao homem. O homem à terra pertence. Não foi o homem que teceu a trama da vida. Ao contrário, foi por ela tecido”. [Alimentar a mente] Este grupo terá como objetivo alimentar a mente dos presentes através da contação de histórias que são repetidas exaustivamente para marcar a mente das crianças e jovens no processo de sua formação. Facilitadores: Graça Graúna, Edson Kayapó, Roni Wasiry, Olívio Jekupé,  Jaime Dessano, Rosi Whaikon e Carlos Tiago

 TARDE
          Grande roda de conversa Na parte da tarde os grupos se encontrarão para um bate-papo síntese onde prepararão alguma resolução para apresentar ao comitê RIO +20. Mesa de encerramento Sorteio de livros e outros objetos


Realização: Apoio:
FNLIJ
INBRAPI
INTITUTO UK’A
INSTITUTO C&A
NEARIN

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O índio no Brasil contemporâneo


Índios estão presentes em 80,5% das cidades brasileiras

Indio Marcelino Lima. Foto de  Aog Rocha, extraída do Google.

817 mil entrevistados disseram ser indígenas; dados apontam que há mais deles 
na zona rural que em áreas urbanas 

19 de abril de 2012

Fonte: ClarissaThomé / RIO - O Estado de S.Paulo

Em duas décadas, a população indígena do País se espalhou. Em 1991, pelo menos uma pessoa se dizia indígena em 34,5% dos municípios. Em 2010, 80,5% das cidades tinham moradores que se reconheciam como índios. A informação, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), leva em conta os Censos de 1991, 2000 e 2010. Hoje é comemorado o Dia do Índio.
Na contagem mais recente, 817 mil entrevistados - 0,4% dos brasileiros - se disseram indígenas. Hoje há mais indígenas na zona rural (502 mil) que em áreas urbanas (315 mil). No Censo 2000, eram 383.298 residentes em zona rural e 350.829 na zona urbana.
"A mudança na autodeclaração é uma hipótese bem plausível. A gente percebe que houve ligeira redução de indígenas na área urbana, enquanto na zona rural houve significativo aumento. Nas zonas rurais, as mulheres ainda têm alta taxa de fecundidade", diz a pesquisadora do IBGE, Nilza Pereira.
No Censo 2010, pela primeira vez o IBGE investigou o contingente populacional indígena no questionário básico, aplicado em todos os domicílios pesquisados. Em 1991 e 2000, a categoria "indígena" era pesquisada apenas no questionário completo, destinado a uma parcela da população. "A hipótese da migração ainda não foi estudada porque esse tema faz parte do questionário completo, que ainda não foi analisado", afirma Nilza.
Reconhecimento tardio. O ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) e antropólogo da Universidade Federal Fluminense Mércio Pereira Gomes lembra que nos últimos dez anos alguns grupos sociais no Norte e Nordeste se reconheceram como indígenas. "Como sociedades negras que depois se declararam quilombolas, havia grupos sociais que nem falavam mais a língua indígena e depois se reconheceram como etnia indígena. Isso ocorreu com os boraris, em Altamira, os anacés, em Fortaleza, e os tabajaras, na Paraíba."
O coordenador do Programa de Estudos dos Povos Indígenas (Pró-Índio) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, José Ribamar Bessa, chama a atenção para a necessidade de políticas públicas para o indígena que vive em zona urbana. "Nós somos adestrados a não perceber essa população. A gente acha que quem sai da aldeia deixa de ser índio. E não é assim. O alemão que mora no Brasil não vira brasileiro. As cidades são o cemitério das línguas indígenas", critica.
São Paulo é a capital brasileira com maior número de índios - 12.977 pessoas que se disseram indígenas - e a quarta cidade do País. À frente de São Paulo estão três municípios de Amazonas: São Gabriel da Cachoeira (29 mil), São Paulo de Olivença (15 mil) e Tabatinga (14,9 mil).

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sobre Brasil, brasis e uma carta-convite da ABL


 Um agradecimento

Em 15 de junho de 2009, estive na Academia Brasileira de Letras (ABL) dentro da programação do VI Encontro de Escritores Indígenas, que acontece anualmente no Rio de Janeiro. Na ocasião, compartilhei o I Colóquio Tradição Oral e Literatura Brasileira com o saudoso Moacyr Scliar e outros acadêmicos a exemplo de Cícero Sandroni,  Alberto Costa e Silva e os parentes indígenas Daniel Munduru e Darlene Taukane. Em 2012, retorno à casa de Machado de Assis para conversar acerca do tema: O índio no Brasil contemporâneo. À Presidente da ABL - Ana Maria Machadao e ao Dr. Proença Filho expresso - desde já - meus agradecimentos por incluir o meu nome em um evento tão relevante para a nossa cultura indígena.
Que Ñanderu nos acolha,
Graça Graúna

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Ilustríssima Senhora
Graça Graúna,           
           
Em nome da Dra. Ana Maria Machado, Presidente da ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS e do Dr. Domicio Proença Filho, coordenador geral dos ciclos, temos a honra de convidá-la para participar como palestrante  sobre o tema O INDIO NO BRASIL CONTEMPORÂNEO, no âmbito do Seminário Brasil, brasis, a realizar-se no dia 26 de abril de 2012, quinta-feira, às 17h30.


Agradecemos a confirmação de sua participação, o envio de outros meios de contato e ficamos ao dispor para outras informações ou providencias.
Cordialmente,
        
           Marta Klagsbrunn

Assessora Cultural da ABL
         Academia Brasileira de Letras

sábado, 14 de abril de 2012

Releitura da obra “Criaturas de Nanderu” é vencedora no Concurso Curumin – FNLIJ 2012.


Minha participação no Dia Nacional de leitura - BSP/2011

Em 2004, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) iniciou a parceria com o Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (INBRAPI) e o  Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas – (NEArIn), no sentido de promover o CONCURSO FNLIJ CURUMIM - LEITURA DE OBRAS DE ESCRITORES INDÍGENAS. A realização do referido Concurso é uma maneira de fortalecer a década dos povos indígenas (2005 – 2015) proclamada pela UNESCO. 

 
Os(as) alunos(as) e eu

Em 2012, o premiado da 9ª edição do Concurso Curumim foi o texto Cultura Indígena: Um Encontro com a ancestralidade na releitura da obra Criaturas de Nanderu”. O referido texto é parte do projeto elaborado por Karina Calado, Jaciara Silva de Souza e Jaíra Pinteiro de Miranda Brandão – professoras do ensino médio na Escola Estadual João Fernandes da Silva, em São João – uma cidade do agreste pernambucano.

 
 Releitura das ilustrações da obra
 
 Produção textual dos(as) alunos(as) acerca da obra

A notícia da premiação foi comunicada à Karina Calado por Elizabeth D’Angelo Serra (secretária geral da FNLIJ), via e-mail.  A cerimônia de premiação acontecerá  no dia 18 de Abril, às 17 horas, durante o evento: 14º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, que se realizará no Centro de Convenções SulAmérica, na cidade do Rio de Janeiro. 

 
Releitura das ilustrações de J. carlos Lolo em cerâmica
 
Profa. Karina Calado
 
Alunos(as) da Escola Est. João F. da Silva
Aproveito a oportunidade para expressar a minha grande satisfação em ver o meu livro Criaturas de Ñanderu (Ed. Manole, selo Amarilys)  merecer a  atenção dos(as) alunas e educadores(as) da Escola Estadual João Fernandes da Silva; onde tive oportunidade de participar da culminância do projeto, em 7 de março de 2012. Em tempo apresento parte do registro fotográfico do Jornalista Leonardo Bastos, acerca da releitura que os(as) alunos fizeram das ilustrações de José Carlos Lolo relacionadas ao  meu livro. Para saber mais do projeto, vale acessar:
 http://intercriaturasdenhanderu.wordpress.com/sobre/

Que Ñanderu nos acolha,
Graça Graúna

domingo, 18 de março de 2012

Dilma escolhe demógrafa para a Funai


Fonte  Claidio Angelo e Andreia Sadi (Folha de São paulo)

Marta do Amaral Azevedo, que trabalhou com educação e saúde reprodutiva da mulher indígena, substituirá Márcio Meira Nova presidente deve ser nomeada até o final do mês e terá desafios, como questões fundiárias e usinas

 A demógrafa Marta do Amaral Azevedo, professora da Unicamp, será a primeira mulher a presidir a Funai (Fundação Nacional do Índio). Sua nomeação está prevista para o fim do mês.
Ela substituirá o antropólogo paraense Márcio Meira, que pediu para sair após um mandato de cinco anos -o mais longo da história do órgão indigenista.
Meira disse à Folha que decidiu sair após ter sido convidado para assumir outra função no governo (ele não diz qual, mas afirma que ficará em Brasília). "Já cumpri minha missão institucional. Completei um ciclo", afirma o presidente da Funai
Azevedo, próxima do PT, foi escolhida pelo ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) com ajuda do próprio Meira.
Entidades ligadas à política indigenista e organizações indígenas não foram consultadas sobre a troca, o que motivou uma carta de protesto na semana passada da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) à presidente Dilma Rousseff.
"Não é nada pessoal, mas os índios reivindicaram participar do processo", disse o assessor político da Apib, Paulino Montejo.
Formada em ciências sociais pela USP, com doutorado em demografia na Unicamp, Marta Azevedo trabalhou no ISA (Instituto Socioambiental), no alto rio Negro, com educação e saúde reprodutiva da mulher indígena.

DESAFIOS
A demógrafa assume a Funai num momento em que o Brasil é repreendido por organismos internacionais pelo que militantes veem como um atropelo aos direitos indígenas, na construção da hidrelétrica de Belo Monte.
O governo tem planos de outras hidrelétricas na Amazônia que afetam terras indígenas, como a de São Manuel, entre Mato Grosso e Pará - um problema para a próxima presidente resolver.
"O governo tem pouca sensibilidade à questão indígena, e há uma série de investidas contra os indígenas", diz André Villas-Bôas, antropólogo do ISA e ex-colaborador de Azevedo.
Ele cita a PEC-215, uma proposta de emenda à Constituição que tira do Executivo a prerrogativa de demarcar terras indígenas.
"A Marta é uma pessoa digna, mas, se o governo continuar mantendo a mesma postura, ela pode cair em isolamento", diz Villas-Bôas.
Outro problema é o conflito fundiário nas terras guaranis, em Mato Grosso do Sul.
Nos últimos dois anos a Funai identificou cerca de 30 terras que poderiam ser devolvidas a índios, que vivem confinados, mas não avançou na retirada dos fazendeiros.
A futura presidente conhece a situação de perto: ela estudou os suicídios dos guaranis confinados nos anos 80.

Fonte: texto e imagem extraídos do site