Literatura e interculturalismo
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
O índio no Brasil contemporâneo
Imagem extraída do Google
A presente
contribuição aos estudos indígenas foi apresentada no dia 26 de abril de 2012,
na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Seminário Brasil, brasis. Trata de
questões indígenas relacionadas a história, memória e cultura indígena. Índios,
indígenas, parentes: quantos e quem somos. O que a Funai não vê. O que
significa ser razoavelmente integrado. Autonomia. Literatura indígena contemporânea
no Brasil. Questões em aberto. Sob a coordenação do Acadêmico Domício Proença Filho,
o referido seminário trouxe o tema “O índio no Brasil contemporâneo”. Parte
deste texto também foi compartilhado na roda de conversa, durante o IX Encontro
Nacional de Escritores e Artistas Indígenas, que acontece anualmente, no Rio de
Janeiro. À luz das palavras do chefe Seatle e da Declaração Solene dos Povos
Indígenas do Mundo a roda de conversa do grupo 3, apresentou propostas para as
discussões acerca de literatura indígena e meio ambiente, rumo ao Fórum Rio
+20.
Palavras chave: literatura indígena, meio ambiente, Fórum Rio
+20.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Literatura indígena contra os moinhos de Dom Quixote
Armando Romanelli (1945)
Dom Quixote e os Moinhos – A.S.T. – 100 x 100 cm - 2005
(imagem extraída do Google)
Dom Quixote e os Moinhos – A.S.T. – 100 x 100 cm - 2005
(imagem extraída do Google)
por Daniel Munduruku
Abril
costuma ser um mês bastante importante para a divulgação da questão indígena em
terras brasileiras (antes dir-se-ia: em terras Tupinikim). Eventos ocorrem em
todos os quadrantes para lembrar à sociedade que aqui sobrevivem teimosamente
250 povos tradicionais, falantes de aproximadamente 180 línguas e que ocupam
13% do território nacional. Foram eventos políticos, culturais ou educativos
necessários para se quebrar estereótipos e conceitos preconcebidos que já
perduram há centenas de anos na cabeça do brasileiro.
Não
à toa a mídia ocupou parte de seu horário para falar sobre o tema. Nem sempre
boas notícias. Ou melhor, quase nunca. A sociedade brasileira foi bombardeada
por inúmeras notícias parciais sobre invasões de terras ou prédios públicos por
parte dos indígenas. As versões eram sempre das “vítimas” consultadas.
Raramente a palavra era dada aos “invasores” reforçando a falsa idéia de que os
“índios” são baderneiros, violentos, insensíveis.
Xingu foi uma rara exceção nos
noticiários. Todos exaltaram as qualidades do filme que retrata a saga dos
irmãos Villas-Boas, autênticos heróis contemporâneos. O filme, parece, não
decolou para o desespero de seus produtores. Impressão ruim de que “os brasileiros não gostam de índio”,
como afirmava Darcy Ribeiro. Nem todos, penso eu. Tenho alguma esperança. Parte
dela me é dada pela literatura.
Dentro
do universo da literatura – que nos interessa aqui – os eventos realizados
durante abril e começo de maio nos reforçam a esperança de que estamos num
caminho que pode fazer mudar este quadro pintado pela história colonial
brasileira e reproduzido pela imprensa.
Desde
o começo do mês realizamos uma caravana literária, batizada Mekukradjá, palavra da língua Kaiapó que
quer dizer transmissão de saberes. É um projeto que já tem estrada, pois
começou no ano de 2011 e promete seguir adiante. Naquele ano passou por Manaus/AM,
Cananéia/SP e Peruíbe/SP, graças ao apoio da Funarte através da saudosa bolsa
de difusão literária. Este ano – graças ao apoio incondicional do Instituto
C&A – passou pela cidade de Lorena, interior de São Paulo e Rio
de Janeiro, onde juntou-se ao Salão FNLIJ de Livros para Crianças e Jovens e
ali organizou o 9º. Encontro de Escritores e Artistas Indígenas; organizou, na
UERJ, exposição de obras de artistas indígenas do Amazonas e Roraima; dialogou
com estudantes da PUC/RJ; palestrou para imortais da ABL através da fala da
indígena potiguara Graça Graúna; banqueteou-se através do sarau lítero-musical
nos jardins da Biblioteca Nacional; falou das linguagens literárias na Escola
de Cinema Darcy Ribeiro e finalizou
realizando o “1º. Caxiri na Cuia –
Colóquios sobre Literatura Indígena” em parceria com a Universidade Federal
de São Carlos através do Grupo de Pesquisa Linguagens, Etnicidades e Estilos em
Transição, coordenado pela professora Maria Silvia Cintra Martins.
Foram, portanto, eventos que atingiram crianças, jovens, educadores,
acadêmicos, universitários e o público em geral. Foram momentos emocionantes e
esperançosos para todos nós.
Além
dessas ações que foram organizadas e protagonizadas pelos próprios indígenas –
tentativa sempre louvável de ser fazer ouvir/ler – outros eventos ocorreram em
que a Literatura Indígena se fez presente como a Feira do Livro de Bogotá,
Bienal Nacional do Livro de Brasília, Bienal do Livro do Amazonas, Conferência
Internacional de Empreendedorismo Indígena e a Feira do Livro de Atibaia. Não
foram poucas as ações em um único mês. E quem as noticiou? Quem lembrou de
colocar uma “notinha” nos jornais? Quem teve interesse em acompanhar a luta do
pequeno Davi contra o grande Golias? Quem viu dom Quixote lutando contra os
moinhos de vento?
Aqui
não cabe uma crítica, mas uma constatação: somos mesmos sobreviventes. E vamos
continuar...e não por teimosia, mas por respeito ao sacrifício de nossos
antepassados. Ser teimoso não é um dom, ter respeito à memória é.
Sinceros agradecimentos a todos/as que fizeram
a Literatura Indígena assumir seu protagonismo dentro da sociedade
brasileira. São muitos os nomes e por isso fica meu abraço fraterno ao Núcleo
de Escritores e Artistas Indígenas do Inbrapi – NEArIn – que reúne, congrega,
integra, difunde, apóia e incentiva a difusão da literatura indígena
|
Nota: o texto (Litratura indigena...) foi publicado neste blog com a devida autorização do autor.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Hutukara realiza IIº Encontro de Xamãs Yanomami
Txto e imagem: ISA
Em ano de comemoração dos 20 anos de homologação da
Terra Indígena Yanomami, evento reforça a importância do xamanismo na defesa
territorial e proteção ambiental.
Logo dos 20 anos da TI Yanomami
A convite de Davi Kopenawa, presidente da Hutukara
Associação Yanomami, 33 dos principais xamãs Yanomami reuniram-se na aldeia Watoriki
(AM) entre os dias 24 e 28 de abril para trocar experiências e juntar
forças na defesa do território indígena invadido por garimpeiros e fazendas. O
encontro contou ainda com a participação de Vicente Castro, o mais antigo e
prestigiado xamã Ye’kuana, etnia que também vive na Terra Indígena Yanomami.
Assim como o 1º
Encontro, que ocorreu em março de 2011, o 2º Encontro foi idealizado e
organizado pela Hutukara em parceria com o ISA e o Instituto do Século XXI
(i21), e teve a participação de xamãs das regiões do Demini, Toototobi,
Parawau, Novo Demini, Missão Catrimani e Komixi.
Vicente Castro, o mais antigo xamã Ye'kuana,
e Davi Kopenawa
No contexto das comemorações de 20 anos de
homologação da Terra Indígena Yanomami (1992-2012), as grandes pajelanças
coletivas realizadas durante o evento foram voltadas especialmente para a
proteção da ”terra-floresta” (urihi a), promovendo a “limpeza” xamânica
das áreas degradadas pelo garimpo e desmatadas pelas fazendas, intensificando a
luta dos espíritos da floresta (xapiri pë) contra os invasores.
Xamãs reunidos no patio central da aldeia Watoriki
Outro objetivo fundamental do encontro foi
consolidar a transmissão dos saberes e rituais xamânicos tradicionais para as
novas gerações Yanomami a fim de garantir a perenidade da luta pela defesa da
Terra Indígena. Assim, as grandes sessões xamânicas diárias na aldeia Watoriki
contaram com a participação de um importante contigente de jovens xamãs em
processo de iniciação, entre os quais se destacou Gleidison Yanomami de apenas
16 anos, o mais recente aprendiz xamã da comunidade.
O jovem xamã Gleidison Yanomami
O encontro foi integralmente registrado pelo
cinegrafista yanomami Morzaniel Iramari, que editará um vídeo sobre o evento no
quadro das comemorações dos 20 anos da Terra Indígena Yanomami. O video será
divulgado pela Hutukara em todas regiões da área Yanomami e colocado a
disposição do público no site da Hutukara. Veja em vídeo
uma seleção das imagens registradas
sábado, 28 de abril de 2012
Marcos Terena: alô parentes, amigos e guerreiros!
Imagem extraída do Google.
"Com a decisão unânime do STF (Supremo Tribunal Federal) de validar as cotas raciais nas universidades, o movimento negro quer se preparar para cobrar das instituições de ensino superior a implantação das reservas de vagas."
Pergunta dessa 6ª feira:
Essa decisão do STJ é apenas para os negros?
Será que não é hora de reivindicar, exigir uma Universidade Autonoma dos Povos Indígenas?
Cadê os Professores do Terceiro Grau Indigena e Diretores das Escolas Indígenas?
Cadê o Coordenador de Educação Indígena do MEC, da FUNAI?
A seguinte notícia da Folha.com (www.folha.com.br) foi enviada para você.
Clique no link abaixo para ler o texto completo:
Movimento negro considera positiva decisão do STF sobre cotas
http://www1.folha.uol.com.br/saber/1082219-movimento-negro-considera-positiva-decisao-do-stf-sobre-cotas.shtml
Folha.com
http://www.folha.com.br/
M. MarcosTerena
KARI-OCA 2 - RIO+20
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quinta-feira, 26 de abril de 2012
ABL abre seu Seminário Brasil, brasis de 2012 com o tema "O índio no Brasil contemporâneo"
Notícias
A
Academia Brasileira de Letras abriu sua série de Seminários
Brasil, brasis de 2012 com o tema O índio no Brasil contemporâneo,
propondo debater a autonomia indígena numa sociedade em transformação. A
coordenação foi do Acadêmico Domício Proença Filho, Primeiro-Secretário da
ABL. Os palestrantes foram os professores Graça Graúna, de origem
potiguara, e José Ribamar Bessa Freire. O evento aconteceu no dia 26 de abril,
quinta-feira, às 17:30h, no Teatro R. Magalhães Jr., 280 lugares, na sede
da ABL, na Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro.
O
debate envolveu acadêmicos, os professores convidados e personalidades ligadas
ao tema. A proposta foi responder a questões como a história e a cultura
indígenas no país; o que significa ser razoavelmente integrado, tratando-se do
índio; a literatura indígena contemporânea; quantos e atualmente e quem são os
índios brasileiros; o trabalho da Funai; e outros assuntos relacionados.
O
Seminário Brasil, brasis, com entrada franca e transmissão ao vivo pelo Portal
da ABL, tem patrocínio do Bradesco.
Saiba mais
Graça
Graúna é escritora, educadora com graduação, bacharelado, especialização,
mestrado e doutorado em Letras, pela Universidade Federal de Pernambuco. Fez
pós-doutorado na Umesp, em Literatura, Educação e Direitos indígenas. Também é
professora adjunta concursada da Universidade de Pernambuco. Entre os livros
que publicou estão Direitos humanos em movimento (organizadora); Criaturas
de Nanderu (narrativa infantojuvenil); e os livros de poemas Tear da
palavra; Tecituras da terra; e Canto mestiço. Participa
ainda de antologias poéticas no Brasil e no exterior.
Professor
normalista pelo Instituto de Educação do Amazonas, José Ribamar Bessa Freire é
graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fez
especialização em Sociologie du Développement pelo IRFED, França, onde
cursou também doutorado em História na Sociologie du Développement.
Obteve o título de doutor em Letras pela Universidade do Estado do Rio de
Janeiro. Atualmente é professor de Pós-Graduação em Memória Social da
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-Rio), onde orienta
pesquisas de doutorado e mestrado, e da Faculdade de Educação da UERJ, onde
coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas. Escreveu e organizou uma
série de livros, entre os quais: Rio Babel – A história das línguas
amazônicas; Línguas gerais – Política linguística e catequese na
América do Sul no período colonial; e A Amazônia no período colonial;
além de capítulos de livros e artigos em revistas especializadas no Brasil e no
exterior.
Veja também:
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Fonte: Assessiria da ABL
quarta-feira, 25 de abril de 2012
MEC irá dobrar o número de territórios educacionais para indígenas
Imagem extraída do Google
20 de
abril de 2012
Por: Vinicius
Lucas
O Brasil tem avançado de forma significativa para
definir uma nova divisão territorial educacional para as nações indígenas. Até
2013, o Ministério da Educação deve dobrar o número de territórios etnoeducacionais
no País que, atualmente, somam 21. Essa divisão territorial é importante
para definir ações e políticas de educação escolar específicas para os
diferentes povos.
Os territórios indígenas não seguem a lógica
espacial e administrativa do Brasil, ou seja, ultrapassam muitas vezes os
limites de municípios e estados. O território etnoeducacional é um espaço de
planejamento e de gestão dos programas e das ações do governo voltados para os
índios.
“Existem povos que estão localizados em dois, três e
até sete estados. Ou seja, são sete estados com políticas diferentes para a
educação indígena. Com o território, pensa-se e articula-se uma política única
para cada povo”, explica Gersem Baniwa, coordenador geral de educação escolar
indígena do MEC.
O território etnoeducacional do Rio Negro, no
Amazonas, por exemplo, reúne 23 povos. Mas existem territórios com apenas uma
etnia, como os xavantes, que são numerosos e estão espalhados em 14 municípios.
“Com essa nova forma de gestão escolar indígena,
haverá condições de planejamento e de elevar a qualidade de um ensino que tem
suas especificidades”, diz Gersem.
Na próxima quinta-feira, 26, especialistas em
educação escolar indígena reúnem-se no Conselho Nacional de Educação (CNE) para
definir diretrizes para a educação básica e a formação de professores
indígenas.
“Além das diretrizes nacionais que serão definidas,
os territórios vão complementar o currículo com as particularidades a serem
ensinadas aos diferentes povos”, esclarece o coordenador. Segundo ele, é
necessário avançar principalmente em orientações para a educação infantil e o
ensino médio. Entre as prioridades está a universalização do primeiro ciclo da
educação básica e a formação de professores.
Hoje há 105,7 mil alunos indígenas matriculados em
turmas do primeiro ao quinto ano (51,7%) e quatro mil indígenas em cursos de
licenciatura intercultural em 20 instituições públicas.
A graduação de licenciatura para indígenas é
recente no Brasil. As primeiras turmas são de 2006. “Hoje temos 600 professores
indígenas formados em licenciatura no ensino médio”, ressalta Gersem.
Apesar dos desafios, o coordenador afirma que os
primeiros e mais difíceis passos já foram dados. “Temos 52% de alunos indígenas
utilizando material específico. É uma grande conquista para a população
indígena, num Brasil onde se falam 180 línguas. Não é nada fácil produzir
material didático bilíngue indígena e de qualidade”, afirma.
Povos
A definição dos territórios e de uma política
educacional diferenciada para os indígenas é uma forma de resgate da própria
história do Brasil. “Não existem os indígenas do Brasil, mas o povo caiapó, o
povo craô, o povo xavante. Com o trabalho nas escolas, novas abordagens
históricas nos livros didáticos, a gente nota que o preconceito quanto aos
povos indígenas é menor”, comenta o representante do ministério.
Esse reconhecimento dos povos indígenas como
integrantes da identidade nacional também se traduz em números. Segundo dados
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em duas décadas aumentou
o número de brasileiros que se declaram indígenas – em 1991, pelo menos uma
pessoa se dizia indígena em 34,5% dos municípios, e em 2010, eles já estavam
presentes em 80,5% das cidades brasileiras.
Fonte:
Ministério
da Educação
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