1993: Ano Internacional dos Povos Indígenas do Mundo

1995 / 2004: Primeira Década Internacional dos Povos Indígenas

2005 / 2014: Segunda Década Internacional dos Povos Indígenas

2019: Ano Internacional das Línguas Indígenas

2020: Ano Internacional da Saúde Vegetal


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O índio no Brasil contemporâneo


Imagem extraída do Google

A presente contribuição aos estudos indígenas foi apresentada no dia 26 de abril de 2012, na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Seminário Brasil, brasis. Trata de questões indígenas relacionadas a história, memória e cultura indígena. Índios, indígenas, parentes: quantos e quem somos. O que a Funai não vê. O que significa ser razoavelmente integrado. Autonomia. Literatura indígena contemporânea no Brasil. Questões em aberto. Sob a coordenação do Acadêmico Domício Proença Filho, o referido seminário trouxe o tema “O índio no Brasil contemporâneo”. Parte deste texto também foi compartilhado na roda de conversa, durante o IX Encontro Nacional de Escritores e Artistas Indígenas, que acontece anualmente, no Rio de Janeiro. À luz das palavras do chefe Seatle e da Declaração Solene dos Povos Indígenas do Mundo a roda de conversa do grupo 3, apresentou propostas para as discussões acerca de literatura indígena e meio ambiente, rumo ao Fórum Rio +20.

Palavras chave: literatura indígena, meio ambiente, Fórum Rio +20.


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Literatura indígena contra os moinhos de Dom Quixote

 
Armando Romanelli (1945)
Dom Quixote e os Moinhos – A.S.T. – 100 x 100 cm - 2005

(imagem extraída do Google)


por Daniel Munduruku
Abril costuma ser um mês bastante importante para a divulgação da questão indígena em terras brasileiras (antes dir-se-ia: em terras Tupinikim). Eventos ocorrem em todos os quadrantes para lembrar à sociedade que aqui sobrevivem teimosamente 250 povos tradicionais, falantes de aproximadamente 180 línguas e que ocupam 13% do território nacional. Foram eventos políticos, culturais ou educativos necessários para se quebrar estereótipos e conceitos preconcebidos que já perduram há centenas de anos na cabeça do brasileiro.
Não à toa a mídia ocupou parte de seu horário para falar sobre o tema. Nem sempre boas notícias. Ou melhor, quase nunca. A sociedade brasileira foi bombardeada por inúmeras notícias parciais sobre invasões de terras ou prédios públicos por parte dos indígenas. As versões eram sempre das “vítimas” consultadas. Raramente a palavra era dada aos “invasores” reforçando a falsa idéia de que os “índios” são baderneiros, violentos, insensíveis.
Xingu foi uma rara exceção nos noticiários. Todos exaltaram as qualidades do filme que retrata a saga dos irmãos Villas-Boas, autênticos heróis contemporâneos. O filme, parece, não decolou para o desespero de seus produtores. Impressão ruim de que “os brasileiros não gostam de índio”, como afirmava Darcy Ribeiro. Nem todos, penso eu. Tenho alguma esperança. Parte dela me é dada pela literatura.
Dentro do universo da literatura – que nos interessa aqui – os eventos realizados durante abril e começo de maio nos reforçam a esperança de que estamos num caminho que pode fazer mudar este quadro pintado pela história colonial brasileira e reproduzido pela imprensa.
Desde o começo do mês realizamos uma caravana literária, batizada Mekukradjá, palavra da língua Kaiapó que quer dizer transmissão de saberes. É um projeto que já tem estrada, pois começou no ano de 2011 e promete seguir adiante. Naquele ano passou por Manaus/AM, Cananéia/SP e Peruíbe/SP, graças ao apoio da Funarte através da saudosa bolsa de difusão literária. Este ano – graças ao apoio incondicional do Instituto C&A – passou pela cidade de Lorena, interior de São Paulo e Rio de Janeiro, onde juntou-se ao Salão FNLIJ de Livros para Crianças e Jovens e ali organizou o 9º. Encontro de Escritores e Artistas Indígenas; organizou, na UERJ, exposição de obras de artistas indígenas do Amazonas e Roraima; dialogou com estudantes da PUC/RJ; palestrou para imortais da ABL através da fala da indígena potiguara Graça Graúna; banqueteou-se através do sarau lítero-musical nos jardins da Biblioteca Nacional; falou das linguagens literárias na Escola de Cinema Darcy Ribeiro  e finalizou realizando o “1º. Caxiri na Cuia – Colóquios sobre Literatura Indígena” em parceria com a Universidade Federal de São Carlos através do Grupo de Pesquisa Linguagens, Etnicidades e Estilos em Transição, coordenado pela professora Maria Silvia Cintra Martins. Foram, portanto, eventos que atingiram crianças, jovens, educadores, acadêmicos, universitários e o público em geral. Foram momentos emocionantes e esperançosos para todos nós.
Além dessas ações que foram organizadas e protagonizadas pelos próprios indígenas – tentativa sempre louvável de ser fazer ouvir/ler – outros eventos ocorreram em que a Literatura Indígena se fez presente como a Feira do Livro de Bogotá, Bienal Nacional do Livro de Brasília, Bienal do Livro do Amazonas, Conferência Internacional de Empreendedorismo Indígena e a Feira do Livro de Atibaia. Não foram poucas as ações em um único mês. E quem as noticiou? Quem lembrou de colocar uma “notinha” nos jornais? Quem teve interesse em acompanhar a luta do pequeno Davi contra o grande Golias? Quem viu dom Quixote lutando contra os moinhos de vento?
Aqui não cabe uma crítica, mas uma constatação: somos mesmos sobreviventes. E vamos continuar...e não por teimosia, mas por respeito ao sacrifício de nossos antepassados. Ser teimoso não é um dom, ter respeito à memória é.
Sinceros agradecimentos a todos/as que fizeram a Literatura Indígena assumir seu protagonismo dentro da sociedade brasileira. São muitos os nomes e por isso fica meu abraço fraterno ao Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas do Inbrapi – NEArIn – que reúne, congrega, integra, difunde, apóia e incentiva a difusão da literatura indígena

Nota: o texto (Litratura indigena...) foi publicado neste blog com a devida autorização do autor.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Hutukara realiza IIº Encontro de Xamãs Yanomami

 Txto e imagem: ISA

Em ano de comemoração dos 20 anos de homologação da Terra Indígena Yanomami, evento reforça a importância do xamanismo na defesa territorial e proteção ambiental.
 
Logo dos 20 anos da TI Yanomami
A convite de Davi Kopenawa, presidente da Hutukara Associação Yanomami, 33 dos principais xamãs Yanomami reuniram-se na aldeia Watoriki (AM) entre os dias 24 e 28 de abril para trocar experiências e juntar forças na defesa do território indígena invadido por garimpeiros e fazendas. O encontro contou ainda com a participação de Vicente Castro, o mais antigo e prestigiado xamã Ye’kuana, etnia que também vive na Terra Indígena Yanomami.
Assim como o 1º Encontro, que ocorreu em março de 2011, o 2º Encontro foi idealizado e organizado pela Hutukara em parceria com o ISA e o Instituto do Século XXI (i21), e teve a participação de xamãs das regiões do Demini, Toototobi, Parawau, Novo Demini, Missão Catrimani e Komixi.
 
Vicente Castro, o mais antigo xamã Ye'kuana, e Davi Kopenawa
No contexto das comemorações de 20 anos de homologação da Terra Indígena Yanomami (1992-2012), as grandes pajelanças coletivas realizadas durante o evento foram voltadas especialmente para a proteção da ”terra-floresta” (urihi a), promovendo a “limpeza” xamânica das áreas degradadas pelo garimpo e desmatadas pelas fazendas, intensificando a luta dos espíritos da floresta (xapiri pë) contra os invasores.
 
Xamãs reunidos no patio central da aldeia Watoriki
Outro objetivo fundamental do encontro foi consolidar a transmissão dos saberes e rituais xamânicos tradicionais para as novas gerações Yanomami a fim de garantir a perenidade da luta pela defesa da Terra Indígena. Assim, as grandes sessões xamânicas diárias na aldeia Watoriki contaram com a participação de um importante contigente de jovens xamãs em processo de iniciação, entre os quais se destacou Gleidison Yanomami de apenas 16 anos, o mais recente aprendiz xamã da comunidade.
 
O jovem xamã Gleidison Yanomami
O encontro foi integralmente registrado pelo cinegrafista yanomami Morzaniel Iramari, que editará um vídeo sobre o evento no quadro das comemorações dos 20 anos da Terra Indígena Yanomami. O video será divulgado pela Hutukara em todas regiões da área Yanomami e colocado a disposição do público no site da Hutukara. Veja em vídeo uma seleção das imagens registradas
 

sábado, 28 de abril de 2012

Marcos Terena: alô parentes, amigos e guerreiros!


Imagem extraída do Google.


"Com a decisão unânime do STF (Supremo Tribunal Federal) de validar as cotas raciais nas universidades, o movimento negro quer se preparar para cobrar das instituições de ensino superior a implantação das reservas de vagas."

Pergunta dessa 6ª feira:

Essa decisão do STJ é apenas para os negros?

Será que não é hora de reivindicar, exigir uma Universidade Autonoma dos Povos Indígenas?

Cadê os Professores do Terceiro Grau Indigena e Diretores das Escolas Indígenas?

Cadê o Coordenador de Educação Indígena do MEC, da FUNAI?

A seguinte notícia da Folha.com (www.folha.com.br) foi enviada para você.

Clique no link abaixo para ler o texto completo:
Movimento negro considera positiva decisão do STF sobre cotas

http://www1.folha.uol.com.br/saber/1082219-movimento-negro-considera-positiva-decisao-do-stf-sobre-cotas.shtml

Folha.com

http://www.folha.com.br/

M. MarcosTerena
KARI-OCA 2 - RIO+20
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http://facebook.com/marcosterena
http://www.youtube.com/marcosterena

quinta-feira, 26 de abril de 2012

ABL abre seu Seminário Brasil, brasis de 2012 com o tema "O índio no Brasil contemporâneo"

Notícias

         
A Academia Brasileira de Letras abriu sua série de Seminários Brasil, brasis de 2012 com o tema O índio no Brasil contemporâneo, propondo debater a autonomia indígena numa sociedade em transformação. A coordenação foi do Acadêmico Domício Proença Filho, Primeiro-Secretário da ABL. Os palestrantes foram os professores Graça Graúna, de origem potiguara, e José Ribamar Bessa Freire. O evento aconteceu no dia 26 de abril, quinta-feira, às 17:30h, no Teatro R. Magalhães Jr., 280 lugares, na sede da  ABL, na Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro.
O debate envolveu acadêmicos, os professores convidados e personalidades ligadas ao tema. A proposta foi responder a questões como a história e a cultura indígenas no país; o que significa ser razoavelmente integrado, tratando-se do índio; a literatura indígena contemporânea; quantos e atualmente e quem são os índios brasileiros; o trabalho da Funai; e outros assuntos relacionados.
O Seminário Brasil, brasis, com entrada franca e transmissão ao vivo pelo Portal da ABL, tem patrocínio do Bradesco.
Saiba mais
Graça Graúna é escritora, educadora com graduação, bacharelado, especialização, mestrado e doutorado em Letras, pela Universidade Federal de Pernambuco. Fez pós-doutorado na Umesp, em Literatura, Educação e Direitos indígenas. Também é professora adjunta concursada da Universidade de Pernambuco. Entre os livros que publicou estão Direitos humanos em movimento (organizadora); Criaturas de Nanderu (narrativa infantojuvenil); e os livros de poemas Tear da palavra; Tecituras da terra; e Canto mestiço. Participa ainda de antologias poéticas no Brasil e no exterior.

Professor normalista pelo Instituto de Educação do Amazonas, José Ribamar Bessa Freire é graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fez especialização em Sociologie du Développement pelo IRFED, França, onde cursou também doutorado em História na Sociologie du Développement. Obteve o título de doutor em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente é professor de Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-Rio), onde orienta pesquisas de doutorado e mestrado, e da Faculdade de Educação da UERJ, onde coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas. Escreveu e organizou uma série de livros, entre os quais: Rio Babel – A história das línguas amazônicas; Línguas gerais – Política linguística e catequese na América do Sul no período colonial; e A Amazônia no período colonial; além de capítulos de livros e artigos em revistas especializadas no Brasil e no exterior.
Veja também:
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Fonte: Assessiria da ABL

quarta-feira, 25 de abril de 2012

MEC irá dobrar o número de territórios educacionais para indígenas


Imagem extraída do Google

 20 de abril de 2012
Por: Vinicius Lucas


O Brasil tem avançado de forma significativa para definir uma nova divisão territorial educacional para as nações indígenas. Até 2013, o Ministério da Educação deve dobrar o número de territórios etnoeducacionais no País que, atualmente, somam 21.  Essa divisão territorial é importante para definir ações e políticas de educação escolar específicas para os diferentes povos.
Os territórios indígenas não seguem a lógica espacial e administrativa do Brasil, ou seja, ultrapassam muitas vezes os limites de municípios e estados. O território etnoeducacional é um espaço de planejamento e de gestão dos programas e das ações do governo voltados para os índios.
“Existem povos que estão localizados em dois, três e até sete estados. Ou seja, são sete estados com políticas diferentes para a educação indígena. Com o território, pensa-se e articula-se uma política única para cada povo”, explica Gersem Baniwa, coordenador geral de educação escolar indígena do MEC.
O território etnoeducacional do Rio Negro, no Amazonas, por exemplo, reúne 23 povos. Mas existem territórios com apenas uma etnia, como os xavantes, que são numerosos e estão espalhados em 14 municípios.
“Com essa nova forma de gestão escolar indígena, haverá condições de planejamento e de elevar a qualidade de um ensino que tem suas especificidades”, diz Gersem.
Na próxima quinta-feira, 26, especialistas em educação escolar indígena reúnem-se no Conselho Nacional de Educação (CNE) para definir diretrizes para a educação básica e a formação de professores indígenas.
“Além das diretrizes nacionais que serão definidas, os territórios vão complementar o currículo com as particularidades a serem ensinadas aos diferentes povos”, esclarece o coordenador. Segundo ele, é necessário avançar principalmente em orientações para a educação infantil e o ensino médio. Entre as prioridades está a universalização do primeiro ciclo da educação básica e a formação de professores.
Hoje há 105,7 mil alunos indígenas matriculados em turmas do primeiro ao quinto ano (51,7%) e quatro mil indígenas em cursos de licenciatura intercultural em 20 instituições públicas.
A graduação de licenciatura para indígenas é recente no Brasil. As primeiras turmas são de 2006. “Hoje temos 600 professores indígenas formados em licenciatura no ensino médio”, ressalta Gersem.
Apesar dos desafios, o coordenador afirma que os primeiros e mais difíceis passos já foram dados. “Temos 52% de alunos indígenas utilizando material específico. É uma grande conquista para a população indígena, num Brasil onde se falam 180 línguas. Não é nada fácil produzir material didático bilíngue indígena e de qualidade”, afirma.
Povos
A definição dos territórios e de uma política educacional diferenciada para os indígenas é uma forma de resgate da própria história do Brasil. “Não existem os indígenas do Brasil, mas o povo caiapó, o povo craô, o povo xavante. Com o trabalho nas escolas, novas abordagens históricas nos livros didáticos, a gente nota que o preconceito quanto aos povos indígenas é menor”, comenta o representante do ministério.
Esse reconhecimento dos povos indígenas como integrantes da identidade nacional também se traduz em números. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em duas décadas aumentou o número de brasileiros que se declaram indígenas – em 1991, pelo menos uma pessoa se dizia indígena em 34,5% dos municípios, e em 2010, eles já estavam presentes em 80,5% das cidades brasileiras.

Fonte:
Ministério da Educação